Compra milionária de trens da Trensurb (RS) nasceu sob suspeita de cartel,trens que nunca funcionaram custaram R$ 244 milhões

Posted in Sem categoria on junho 10, 2018 by gusbrum

Em 2012, 15 novos veículos que nunca funcionaram ao mesmo tempo foram adquiridos por R$ 244 milhões

Não é apenas pela má qualidade do equipamento que os trens da Transurb são investigados. A suspeita de que a licitação para compra dos veículos envolveu um cartel já foi diagnosticada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça, e virou investigação do Ministério Público Federal (MPF).

Em 2012, os 15 novos trens da Trensurb foram adquiridos ao custo de R$ 244 milhões, por meio de uma licitação realizada no mesmo ano. O certame foi vencido pelo consórcio formado por Alstom e CAF — as mesmas empresas que, naquele ano, também ganharam a concorrência para fornecer trens em Belo Horizonte — 10 veículos para a Companhia Brasileira de Trens Urbanos, avaliados em R$ 171,96 milhões.

Alstom e CAF fazem parte de um grupo de 18 concorrentes em licitações de trem e metrô ocorridas entre 1998 e 2012, investigados por suposto acerto de preços nas capitais gaúcha e mineira, além de São Paulo, Distrito Federal e Rio de Janeiro. Esses contratos totalizam R$ 9,4 bilhões. Em São Paulo, já tramita ação judicial criminal contra os supostos envolvidos, mas no RS ainda está em fase de investigação.

O Grupo de Investigação da RBS (GDI) teve acesso às 288 páginas de conclusões da investigação do Cade. O órgão constatou a formação de cartel a partir de delações premiadas feitas por empresas — os acordos de leniência. O principal deles foi firmado entre uma vencedora de contratos (a empresa alemã Siemens) e o Cade. O outro pela empreiteira Camargo Corrêa.

Após revelações dos delatores, indícios foram colhidos durante operação judicial de busca e apreensão de documentos, feita a pedido do Cade em julho de 2014. O suposto cartel teria atuado em 15 projetos licitados pelo poder público, via instituições como o Metrô de São Paulo, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Metrô do Distrito Federal, Empresa de Trens Urbanos (Trensurb), núcleo da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em Minas Gerais e Secretaria de Estado de Transportes do Rio de Janeiro.

Na investigação a que o GDI teve acesso, o Cade aponta “fortes indícios de acerto de preço para eliminar a competição na compra dos veículos pelo governo federal em Porto Alegre e Belo Horizonte”. As duas licitações só tiveram propostas da francesa Alstom e da espanhola CAF, que revezaram o controle dos consórcios, batizados de FrotaPOA e FrotaBH. Na Trensurb, a Alstom ficou com 87,3% do consórcio e a CAF 12,7%. A proporção foi exatamente invertida na CBTU mineira, o que é considerado pela investigação um dos indícios de cartel. A delação da Siemens é sobre trens em geral. A da Camargo Corrêa abrange metrôs subterrâneos — no caso de Porto Alegre, a formação de cartel não se concretizou já que o metrô nunca saiu do papel.

E-mails sugerem combinação de resultados

A suspeita do Cade está alicerçada, além da delação, em e-mails trocados entre o alto escalão das duas empresas, interceptados nos computadores dos executivos. Em 6 de novembro de 2012, uma semana antes do desfecho das licitações, Agenor Marinho, membro da diretoria da CAF, comunica Luiz Fernando Ferrari, da Alstom, sobre a divisão do consórcio. Intitulada “Divisão do escopo”, a mensagem é clara:

“Conforme nossas últimas conversas, informamos que o menor preço, para o fornecimento dos truques (base que sustenta o trem) para a Trensurb, conforme escopo em anexo, é de R$ 33.000.000,00 (trinta e três milhões de reais). Acreditamos que assim tenhamos chegado ao valor possível para ambas as empresas o que nos permitirá assinar o acordo.”

Segundo o Cade, a parceria não resultava de imperativos técnicos, mas uma divisão de mercado para eliminar a competição. Exemplo seria a transcrição de uma sequência de e-mails de novembro de 2012. A conversa, em inglês, mostra que executivos da Alstom cogitam disputar as licitações sozinhos. Mas aí um dos gestores, Marco Contin, alerta que uma disputa com a CAF seria prejudicial e sugere uma aliança.

“No momento, a informação que temos é de que nós não temos um competidor (apenas a CAF). No caso de decidirmos ir sozinhos, estou certo de que a CAF irá apresentar uma proposta e entraremos em uma guerra de preços que não é boa nem para nós, nem para eles.”

A prática de cartel pode resultar em multa às empresas de até 20% de seus faturamentos _ apesar de tramitar há quatro anos, o caso ainda não está concluído. A investigação do Cade serviu para embasar um inquérito na Polícia Federal, que indiciou criminalmente Agenor Marinho (dirigente da CAF) e Luis Fernando Ferrari (Alstom), além de outro dirigente da Alstom, Wagner Ribeiro. Eles teriam infringido o Artigo 90 da Lei 8.666/93 (Lei de Licitações). Caso condenados, estão sujeitos a detenção de dois a quatro anos e multa, por “frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer outro expediente, o caráter competitivo do procedimento licitatório, com o intuito de obter, para si ou para outrem, vantagem decorrente da adjudicação do objeto da licitação”. Essa investigação criminal está sendo ampliada pelo Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal (MPF). O objetivo também é verificar se e como se deu o cartel da compra de trens em Porto Alegre.

Licitações sob suspeita

Belo Horizonte – CBTU

– 10 trens

– R$ 171,96 milhões

– Consórcio FrotaBH

– CAF (93,14%) e Alstom (6,86%)

Porto Alegre – Trensurb

– 15 trens

– R$ 244,67 milhões

– Consórcio FrotaPOA

– Alstom (87,3%) e CAF (12,7%)

FONTE: http://saopaulotremjeito.blogspot.com

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Ex-presidente do PSC (Partido Social Cristão), Vitor Jorge Abdala Nósseis, é investigado por pagar prostitutas com dinheiro do fundo partidário

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Vitor Nósseis teria admitido gastos em gravação entregue pelo partido à Justiça; ouça o áudio

POR GISELE BARROS / MARCELLA RAMOS* / MARLEN COUTO

RIO — O ex-presidente nacional e fundador do Partido Social Cristão (PSC) Vitor Jorge Abdala Nósseis é alvo de um inquérito, em andamento no Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), que apura a destinação de recursos da Fundação Instituto Pedro Aleixo (Fipa), vinculada à sigla até 2017 e financiada pelo fundo partidário, para pagar prostitutas. No ano passado, o próprio PSC entregou ao MP do estado e à Polícia Federal uma gravação em que, segundo o partido, o ex-presidente afirma ter usado recursos da entidade para “comer putas”.

O áudio foi obtido pelo GLOBO na prestação de contas do PSC referente a 2017 enviada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desde o ano passado, a fundação não tem mais ligações com o PSC. Segundo o partido, Nósseis foi expulso no fim de 2017.

 

“Eu tô vendo uma fofoca. Diz que eu dei dinheiro, né? Eu dei dinheiro da fundação para comer as puta… Conversa dela. Falei assim: Dei mesmo, e comi. Qual o problema? E agora? Vai fazer o que comigo? Dei, mas elas se formaram. Recuperei elas todas pra vida”, ouve-se na gravação, em que também são citados os nomes de “Samanta” e “Keila”: “Cê vê, a Samanta é uma mesmo. A Keila é outra. Tem umas três lá na Europa. Já viraram, tudo virou gente. Formaram-se, tem mais de vinte”, complementa.

 

Vitor Nósseis foi presidente nacional do PSC de 1985 a 2015 – Gustavo Miranda / Agência O Globo

Questionado se a publicação de processos e provas é comum nas prestações de contas dos partidos, o TSE informou que “não comenta antecipadamente questões que, no futuro, podem ser trazidas à sua jurisdição”.

Localizada em Belo Horizonte e criada em 2009, a fundação desenvolve projetos institucionais de cunho político, social, educativo e cultural. O MP de Minas investiga se houve celebração de contratos, repasses de verbas, concessão de bolsas ou outros benefícios a alguma “Samantha” ou “Keila”. Segundo o estatuto do PSC, a Fipa era responsável pela aplicação de 20% do total dos recursos do fundo partidário destinados à sigla, cerca de R$ 3 milhões em 2017.

De acordo com despacho do promotor Marcelo Oliveira Costa, da 21ª Promotoria Judicial de Tutela de Fundações, Vitor Nósseis afirmou em depoimento que não se recorda do diálogo e que “não se pode levar em consideração uma conversa informal, descontraída”.

Em nota ao GLOBO, o ex-presidente do partido sustentou que a gravação é “clandestina e apócrifa” e que foi manipulada a pedido do pastor Everaldo, atual presidente do PSC, em função de denúncias que apresentou contra ele e a sigla a partir de 2015. Já a defesa do partido informa que recebeu o áudio por meio de uma denúncia anônima.

Vitor Nósseis fundou o PSC e foi presidente da sigla entre 1985 e 2015, quando assumiu o cargo de presidente de honra. Advogado, tentou se eleger para um cargo político apenas uma vez, nas eleições presidenciais de 1994 como vice de Hernani Goulart Fortuna. A chapa ficou em último lugar no pleito eleitoral, com apenas 0,26% dos votos válidos.

IRREGULARIDADES NA FUNDAÇÃO

Desde 2014, o TSE determina que as prestações de contas dos partidos devem trazer também as das fundações mantidas pelas legendas. Já em 2015, o PSC teve problemas na divulgação dos gastos por conta da falta de documentação da Fipa, que não foi enviada dentro do prazo. Em março de 2017, a ministra Rosa Weber, do TSE, atendeu a um pedido do próprio PSC e determinou a suspensão dos repasses à instituição.

Pastor Everaldo, atual presidente nacional do PSC, ao lado de Vitor Nósseis durante convenção do partido em 2006 – Gustavo Miranda / Agência O Globo

Em abril deste ano, a legenda enviou uma notificação extrajudicial à fundação. O prazo para o envio da prestação de contas era o dia 30 daquele mês. Como presidente do instituto, Nósseis respondeu que “diante da manifestação da própria comissão executiva nacional do Partido Social Cristão em extinguir o vínculo jurídico com a Fundação Instituto Pedro Aleixo, não lhe assiste nenhuma titularidade para estabelecer prazos, sejam eles quais forem, até decisão final da Justiça”.

DENÚNCIAS CONTRA O PARTIDO

Em 2016, Nósseis enviou uma petição ao TSE para que fosse realizada uma auditoria externa para investigar a prestação de contas do PSC. O ex-presidente do partido solicitou ainda o afastamento imediato de Everaldo e de outros dirigentes da sigla, acusando-os de corrupção e mau uso do dinheiro público. Em fevereiro de 2018, o pedido teve parecer favorável do Ministério Público Eleitoral e, em maio, foi encaminhado para a Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias (Asepa), em despacho do ministro Luís Roberto Barroso.

Também em maio, o Pastor Everaldo e outros dois membros do partido, Adolfo Lúcio de Oliveira Fernandes e Denise Assumpção Fernandes, decidiram processar o ex-presidente, por crimes de calúnia, injúria e difamação.

Nósseis entrou na Justiça contra o PSC pela primeira vez em 29 de setembro de 2015, questionando a convenção do partido realizada em julho do mesmo ano, que decidiu pela saída dele do cargo de presidente. O processo correu na 25ª Vara Cívil de Brasília até 20 de junho de 2017, quando foi arquivado.

Na decisão, a relatora do caso, desembargadora Simone Lucindo, argumenta que o ex-presidente participou da convenção, aceitou o cargo de presidente de honra e que, inclusive, indicou nomes de seu grupo para compor a nova chapa da direção. Ela contesta ainda que, assim como prevê o estatuto do partido, havia mais de 60% dos membros do diretório nacional no evento. Assim, defende que “não se revela adequado que venha a juízo negar o posicionamento exarado no acordo convencional”.

*estagiária sob supervisão de Leonardo Cazes

FONTE: O GLOBO https://oglobo.globo.com/brasil/ex-presidente-do-psc-investigado-por-pagar-prostitutas-com-dinheiro-do-fundo-partidario-ouca-audio-22754405?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar

Por não ter nenhum petista, a “grande mídia” esconde Operação Zelotes que deu cerca de R$580 bilhões de prejuízos aos cofres públicos

Posted in Sem categoria with tags , , on junho 8, 2018 by gusbrum

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Cerca de R$580 bilhões de prejuízos aos cofres públicos e a “grande mídia” silencia.

 

A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira, dia 3/9, a segunda etapa da Operação Zelotes, que apura a existência de um bilionário esquema de sonegação de tributos no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda.

As primeiras denúncias da Operação Zelotes, que apura um esquema de propinas e tráfico de influência no Conselho Administrativo de Recursos Fiscal (Carf), devem ser apresentadas ainda este mês. Segundo o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Frederico Paiva, que está à frente das investigações, seis empresas devem ser denunciadas nos próximos dias por crime de sonegação de impostos e corrupção no Carf. Uma delas poderá ser gaúcha. Atualmente são 20 empresas investigadas.

A iniciativa não produziu o mesmo alarido que têm gerado as ações da Lava-Jato. Seja pela presença de políticos entre os envolvidos, seja pelo ritmo acelerado com que suas etapas se sucedem, as investigações sobre desvios também bilionários na Petrobras costumam atrair muito mais atenção.

Se dependesse somente das cifras movimentadas, contudo, as duas operações mereceriam tratamento igualitário. Representantes da PF já afirmaram que as fraudes no Carf deixaram para os cofres públicos um prejuízo de quase R$6 bilhões, pelo menos.

Estão sob suspeita 74 processos relacionados com dívidas tributárias de grandes empresas. De acordo com os investigadores, integrantes do Carf – espécie de tribunal da Receita Federal – recebiam propina para diminuir ou até cancelar débitos com o fisco.

Como das decisões do órgão não cabe recurso, pode-se imaginar que muitos empresários viam no esquema uma grande oportunidade de economizar dinheiro.

Pode-se imaginar, além disso, que o desfalque tenha sido ainda maior. Basta dizer que, somadas todas as pendências hoje em discussão no Carf, chega-se a nada menos que R$580 bilhões.

Entende-se assim por que o conselho teve suas atividades suspensas durante quatro meses após a primeira fase da Zelotes, datada de março. Quando voltou a funcionar, já se regia por novas diretrizes, em tese capazes de ampliar a transparência e a segurança das decisões tomadas.

Adotaram-se medidas óbvias, como a introdução do sorteio eletrônico para definição dos relatores e a proibição de que um conselheiro atue em causas de parentes ou de grupo econômico para o qual tenha trabalhado. É espantoso que tais regras não vigessem antes.

Para além dessas bem-vindas reformas administrativas, é de esperar que a Operação Zelotes logo resulte em denúncias e julgamentos dos envolvidos –para nada dizer do pagamento dos bilhões devidos. No que respeita à celeridade, a comparação com a Lava-Jato pode ser bastante instrutiva.

FONTE: https://limpinhoecheiroso.com/2015/09/13/por-nao-ter-nenhum-petista-a-grande-midia-esconde-operacao-zelotes/

No país dos Marajas…

Posted in Sem categoria with tags , , on junho 7, 2018 by gusbrum

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Casos de corrupção na ditadura militar começam a voltar a tona

Posted in Sem categoria with tags on junho 7, 2018 by gusbrum

por Carol Scorce — 
Para pesquisador que revelou caso de desvios na Marinha, conjuntura política é favorável para os historiadores revelarem suas descobertas
Arquivo Nacional
Festival bang bang na ditadura militar brasileira

Medo de intervenção e de candidaturas militaristas deve ajudar historiadores a revelar novos casos

Em 10 de maio, o site Opera Mundi divulgou o documento da CIA – encontrado por Matias Spektor, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas – revelando que o ditador Ernesto Geisel autorizou a manutenção da “política de execuções sumárias”iniciada por seu antecessor, Emilio Garrastazu Médici e coordenada por João Baptista Figueiredo, sucessor de Geisel. Cabia a Figueiredo decidir se um preso pelos órgãos de repressão do Estado era “perigoso” e deveria morrer.

Em 1º de junho, o jornal Folha de S. Paulo publicou um caso de corrupção envolvendo os governos dos generais Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) e Ernesto Geisel (1974-1979). A revelação é parte das pesquisas do cientista político e historiador João Roberto Martins Filho, da Universidade Federal de São Carlos, que há mais de 30 anos pesquisa aspectos da ditadura militar.

Os documentos encontrados por Martins Filho na diplomacia britânica atestam que o governo brasileiro comprou seis fragatas superfaturadas pelo Reino Unido, e depois se recusou a receber a indenização – de 500 mil libras, o que hoje equivale a quase 3 milhões de libras, ou 15 milhões de reais – e de dar sequência nas investigações sobre o caso.

Não é tudo. Na segunda-feira 4, o jornal O Globo publicou um telegrama secreto enviado pela embaixada dos Estados Unidos no Brasil para o Departamento de Estado Americano em 1984 afirmando que casos de corrupção envolvendo o governo militar estariam abalando a confiança da população no regime local.

O documento faz parte dos 694 documentos enviados em um lote pelo governo do então presidente Barack Obama ao de Dilma Rousseff. Entre 2014 e 2015, três remessas foram enviadas à Comissão da Verdade, que investigou abusos de direitos humanos no período ditatorial.

A volta de militares atuando e falando publicamente sobre política, e o fato do pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) – defensor das forças armadas – estar bem avaliado nas pesquisas eleitorais, é um um dos principais motivos pelo interesse da grande imprensa pelo assunto no atual momento.

Os casos recentemente revelados podem ser apenas a ponta do iceberg da recôndita história da ditadura militar brasileira. “Vivemos um bom é período para os historiadores revelarem suas pesquisas, e para que povo brasileiro tenha mais informação sobre a ditadura militar no Brasil”, acredita o pesquisador.

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O que resta da ditadura na democracia brasileira?

CartaCapital: Professor, estamos vivendo uma onda da publicação de novos fatos sobre a ditadura brasileira. Por que o senhor acredita que o tema ganhou força recentemente?
João Roberto Martins Filho: De tempos em tempos a grande imprensa se volta para o tema da ditadura, seja porque o assunto é relevante para o leitor, seja porque há uma conjuntura em que a linha editorial precisa criticar a possibilidade de uma intervenção militar no Brasil. Acho que está acontecendo agora.

Neste momento tem a ver com os militares voltarem a falar publicamente sobre a conjunta política e intervir nela, além de termos um candidato à presidência (Jair Bolsonaro) que defende os militares, o que é uma combinação explosiva e faz com que alguns setores voltem a dar destaque para a ditadura.

CC: O que tem sido publicado recentemente pode ser apenas a ponta de um iceberg?
JRMF: De modo geral os historiadores têm muito documentos, mas não conseguem divulgar. E de modo geral há mais procura por documentos que estão em arquivos fora do País. Se tivéssemos acesso aos documentos que estão no Brasil, e se conseguíssemos furar esse traço da nossa cultura, os documentos gringos não teriam tanta relevância. Como pesquisador não consigo contar o lado brasileiro.

CC: O Estado Brasileiro não quer contar essa história?
JRMF: Os governos brasileiros estão sempre muito suscetíveis à argumentação do Itamaraty e das forças armadas de que os documentos têm de estar em sigilo. A história diplomática brasileira mantém em sigilo aspectos da Guerra do Paraguai, por exemplo. Então os historiadores têm de recorrer à documentação estrangeira. Foi só porque o governo Obama nos cedeu parte do arquivo que pudemos saber como agia a hierarquia militar de uma determinada época. Há muitas evidências que carecem de provas na nossa história.

Muita coisa ainda pode ser revelada porque a cerne da questão é que qualquer coisa que tenha a ver com segurança nacional é sufocada, e isso sempre pode nos levar a um regime ditatorial. Quanto mais coisa for escondida, mais impacto terá quando for revelada.

CC: Como o senhor avalia o documento que coloca o general Ernesto Geisel como figura importante da repressão?
JRMF: É fundamental saber sobre atuação do Geisel do subordinado João Baptista Figueiredo tinham pleno conhecimento das práticas de tortura e execução que ocorriam no País. O próprio historiador Elio Gaspari que se debruçou esse assunto não tinha tão claro que a tortura era autorizada pelo chefe da nação.

CC: Quais aspectos da ditadura militar o senhor considera mais relevante analisar desse período no Brasil?
JRMF: O comunismo era o que justificava a existência das forças armadas na política da América Latina. Os militares ficaram muito incomodados quando o comunismo perdeu força e os Estados Unidos ascenderam como potência única. Foi nesse momento que eles começam a defender, por exemplo, a floresta amazônica e o Brasil das invasões do primeiro mundo. Outro aspecto, a partir daí, é a influência do pensamento francês na ideologia das forças armadas, ainda que a doutrina de segurança nacional tenha vindo dos norte americanos.

CC: Qual o caminho dos historiadores até o que ainda não se conseguiu contar sobre esse período?
JRMF: Estudando as influências externas sobre os brasileiros é que conseguimos desvendar coisas novas. Na relação com a Grã-Betanha foi onde encontrei o primeiro documento oficial que comprava que os ingleses colaboraram para a construção do primeiro centro de tortura brasileiro, em 1971 do DOI-Codi no Rio de Janeiro. O Elio Gaspari já havia relatado essa história, mas não haviam provas.

CC: O senhor acredita que a Comissão da Verdade conseguiu ter relevância?
JRMF: A comissão caiu no esquecimento. Pouca gente leu o relatório, que é muito longo, e a imprensa noticiou, mas não se aprofundou pelo que ali está revelado. Acabou provocando pouco o debate, e tendo uma atuação moderada perto desses documentos estrangeiros, por exemplo. Ela atuou nos seus limites. O problema maior é que não existe no Brasil uma cultura de valorizar a história das ditaduras. Com isso de tempos em tempos os brasileiros voltam a pedir um governo militar porque eles não conhecem a verdadeira história.

Em meio a greve, caminhoneiros pediam intervenção militar e saída de Michel Temer

CC: Existem muitas dificuldades para que a história seja recontada…
JRMF: Se continuar a tendência de divulgar documentos pela imprensa e o interesse da mídia vão aparecer mais coisas. Isso tá intimamente ligado à conjuntura política atual, que é uma conjuntura pré-eleitoral, e há uma parte da classe dominante que já deixou claro que estão interessados na eleição do Bolsonaro. Tampouco tem um candidato favorito, então é período bom para os historiadores revelarem suas pesquisas, e para que povo brasileiro tenha mais informação sobre a ditadura militar no Brasil.

FONTE: https://www.cartacapital.com.br/sociedade/violencia-e-corrupcao-na-ditadura-vem-a-tona-com-onda-pro-militar

O Presidente aquele que subornou meio congresso para ser re-eleito, é pego pedindo doações a Odebrecht

Posted in Sem categoria with tags , , , , on junho 7, 2018 by gusbrum
Em e-mails, FHC pede doações a Marcelo Odebrecht, ele diz: “O de sempre”
por Redação — 
Laudo da PF revela pedidos pessoais do ex-presidente tucano para apoio a candidatos em 2010. Houve acerto, mas não há doação declarada
Tânia Rêgo / Agência Brasil
FHC

Por e-mail, o ex-presidente negociou diretamente com Odebrecht apoio a candidatos tucanos

Um laudo da Policia Federal revela que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, pediu por meio de seu e-mail pessoal apoio financeiro a Marcelo Odebrecht para a campanha de dois tucanos nas eleições de 2010. Na ocasião, o empreiteiro confirmou o acerto para doar para um deles, mas não houve recursos declarados à Justiça Eleitoral.

A troca de mensagens é revelada em um laudo da Polícia Federal anexado a um processo que investiga o ex-presidente Lula. O documento foi tornado público pela revista Veja

Em 13 de setembro de 2010, FHC envia um e-mail a Odebrecht, que atualmente cumpre prisão domiciliar após colaborar com a Justiça, com o assunto “pedido”.

Na correspondência, o tucano recorda de uma “conversa no jantar de outro dia” e envia um “SOS” ao empreiteiro: o candidato ao senado por Mato Grosso, Antero Paes de Barros, do PSDB, está em segundo lugar, “porém a pressão do governismo, ancorada em muitos recursos, está fortíssima”.

“Seria possível ajudá-lo? Envio abaixo os dados bancários”, e informa a conta de campanha de Paes de Barros. 

Marcelo Odebrecht responde no dia seguinte que dará “uma olhada” e retornará. “Fique tranqüilo (no que depender de nós). Depois aproveito, e lhe dou o feedback dos demais apoios e reforços que fizemos na linha do que conversamos”, escreve o empresário. No dia seguinte, vem o acerto em novo e-mail. “Presidente, Ja solicitei que fosse feito o apoio ao Antero. Vou pedir para verificarem sua disponibilidade para lhe apresentar um balanço.” Ambos os e-mails terminam com “forte abraço”. 

Uma semana depois, a poucos dias das eleições, Fernando Henrique Cardoso envia novo e-mail a Odebrecht, desta vez endereçado também a Benjamin Steinbruch, da Fiesp, com o assunto: “o de sempre”. O ex-presidente chama ambos de “estimados amigos” e pede desculpas “pela insistência”. Diz nem saber “se já atenderam” o que pediu. Mas, “olhando o quadro geral”, o tucano afirma que há dois possíveis senadores “que precisam de atenção”: Paes de Barros e também Flexa Ribeiro, do Pará.

Ele conclui: “Ainda há tempo para eles alcançarem, no caso na verdade é manterem, a posição que os leva ao êxito. Flexa Ribeiro acabou eleito naquele pleito, mas não Paes de Barros. Nenhum deles teve uma doação da Odebrecht declarada à Justiça Eleitoral. 

O ex-senador do Mato Grosso afirma que não recebeu ajuda financeira da Odebrecht em sua campanha e não teve nenhum contato com representantes da empreiteira naquele ano. Na resposta a FHC em 2010, Odebrcht diz já ter contactado o Paes de Barros, mas afirma que ele estava “fora”. “Mas já sabe que iremos apoiá-lo”, garante. O empreiteiro disse não saber sobre a situação de Flexa, mas afirmou que iria verificar. 

A assessoria do ex-presidente enviou uma nota em que FHC afirma que o pedido “era legal”. “Posso ter pedido, mas era legal. Não se deram e não foi a troco de decisões minhas, pois na época eu estava fora dos governos, da República e do estado”.

O senador Flexa Ribeiro afirmou, por meio de sua assessoria, que desconhece o pedido e que não recebeu nenhuma contribuição da Odebrecht.

https://www.cartacapital.com.br/politica/em-e-mails-fhc-pede-doacoes-a-marcelo-odebrecht-o-de-sempre

Mais cedo ou mais tarde a casa cai. Ministro Augusto Nardes, responsável pela farsa das pedaladas fiscais é investigado pela PF

Posted in Sem categoria with tags , , , on junho 7, 2018 by gusbrum