Governo repassou R$ 134 milhões em emendas a deputados pró-Temer

Posted in Sem categoria on julho 14, 2017 by gusbrum
Número foi levantado pela ONG Contas Abertas e se refere a pagamentos feitos em junho a aliados na CCJ. Relator Paulo Abi-Ackel (PSDB) foi quem mais recebeu verbas no mês: R$ 5,1 milhões.

Por Alessandra Modzeleski, G1, Brasília

Levantamento feito pela ONG Contas Abertas aponta que o governo federal liberou, no mês de junho, R$ 134 milhões em emendas parlamentares aos 38 dos 40 deputados que votaram a favor do presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Emendas parlamentares são recursos previstos no Orçamento, destinados a cada parlamentar e que devem obrigatoriamente ser empregados em projetos nos estados e municípios. A liberação dos recursos é obrigatória e o governo tem todo o ano para repassar os recursos.

Os dados aferidos pela organização mostram ainda que o deputado que mais recebeu os recursos foi Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). O tucano recebeu R$ 5,1 milhões em emendas no mês passado.

Ligado ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) e à ala do partido que defende a permanência da legenda no governo, Abi Ackel foi o responsável por elaborar um segundo parecer, aprovado na comissão, que recomendou a rejeição da denúncia contra Temer.

A CCJ foi a primeira etapa da análise da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer. Nesta quinta-feira (13), os deputados rejeitarem, por 40 votos a 25, o relatório de Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) que recomendava o prosseguimento da denúncia.

Abi-Ackel, então, foi escolhido como novo relator e apresentou um segundo relatório, recomendando a rejeição da denúncia pela Câmara. O parecer do tucano foi aprovado por 41 votos a 24.

Partidos de oposição atribuem a vitória do governo na CCJ a dois principais motivos: o troca-troca de integrantes promovido por líderes da base aliada, que garantiu maioria de votos ao governo, e o pagamento de verbas para projetos e emendas parlamentares.

Voto pró-Temer na CCJ pode valer até R$ 8 milhões em emendas

Voto pró-Temer na CCJ pode valer até R$ 8 milhões em emendas

Além de Abi-Ackel, outros parlamentares ligados à “tropa de choque” do Palácio do Planalto figuram na lista de maiores beneficiários das emendas liberadas pelo governo.

Depois do tucano, os dois deputados que mais receberam verbas foram Carlos Marun (PMDB-MS) e um dos vice-líderes do governo na Casa, Beto Mansur (PRB-SP). De acordo com o levantamento, os dois receberam R$ 5 milhões cada. Os parlamentares foram dois dos principais defensores de Temer nos últimos dias.

Ainda segundo o levantamento da ONG, apenas em junho, R$ 2 bilhões foram empenhados para parlamentares de 27 partidos e bancadas estaduais. O partido de Temer, o PMDB, recebeu R$ 284,2 milhões.

Apenas dois dos deputados que votaram a favor de Temer na CCJ não receberam emendas parlamentares em junho: Arthur Lira (PP-AL) e Domingos Neto (PSD-CE).

FONTE:http://g1.globo.com/politica/noticia/governo-pagou-r-134-milhoes-em-emendas-a-deputados-pro-temer-diz-ong.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=share-bar-smart&utm_campaign=share-bar

Corrupção até na maneira de noticiar a epidemia de Febre Amarela

Posted in Sem categoria on julho 12, 2017 by gusbrum
UM PESO, DUAS MEDIDAS, Uma doença, duas notícias: a febre amarela noticiada nos governos Lula e Temer
por Intervozes 
Em 2008, um surto foi transformado em epidemia grave pela imprensa. Nesse ano, com 17 vezes mais casos, a abordagem da mídia foi sóbria e discreta.
Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Ricardo Barros

Ricardo Barros, o ministro da Saúde que é contra a saúde universal

Por Claudia Malinverni*

Nos últimos nove anos, dois ciclos de intensificação da febre amarela silvestre (na gramática epidemiológica, epizootia), fenômeno recorrente no cenário brasileiro, chamaram a atenção do jornalismo de massa. O primeiro, no verão de 2008, foi alvo de uma intensa e controversa cobertura, que mobilizou a imprensa nacional e acabou por configurar a doença como uma epidemia midiática.

O segundo, no início deste ano, a despeito de ter provocado um surto entre seres humanos de dimensões inéditas e com potencial para a espetacularização, recebeu um tratamento jornalístico oposto, centrado na objetividade da informação.

Entender as diferenças entre as duas narrativas é o foco deste artigo, que toma como exemplo o jornal Folha de S.Paulo. Segundo o Ministério da Saúde, o número de casos confirmados em 2017 é nove vezes maior do que o registrado em 2000 – que, com 85 casos, era, até então, o maior da série histórica, iniciada em 1980 –, e quase 17 vezes o contabilizado em 2008, quando foram confirmados apenas 46 casos.

Essa comparação numérica dos dois momentos de disseminação da doença suscita um primeiro questionamento: por que o mais “brando”, de 2008, se transformou jornalisticamente em uma epidemia de febre amarela e o segundo, de 2017, mereceu da imprensa uma abordagem cautelosa, assentada no que poderíamos nomear como bom jornalismo?

A epidemia midiática teve como pano de fundo o início do segundo mandato presidencial do petista Luiz Inácio Lula da Silva, que, em março de 2007, havia nomeado o sanitarista José Gomes Temporão ministro da Saúde. No campo da saúde pública, parlamentares governistas e da oposição travavam uma acirrada disputa pela renovação da CPMF.

Pouco antes de detectada a febre amarela silvestre pelo sistema nacional de monitoramento, em meados de dezembro de 2007, o Senado Federal havia rejeitado a prorrogação da contribuição. Importante complementação ao orçamento do SUS, a defesa da CPMF foi conduzida pessoalmente por Temporão, que rejeitava o viés tecnocrático das ações ministeriais.

Já em 2017, a cobertura se desenrolou sob o governo do peemedebista Michel Temer. Controverso desde o início, o processo parlamentar que desaguou no impedimento de Dilma Rousseff teve amplo e explícito apoio das principais corporações de mídia do País.

Por outro lado, o ministro da Saúde do Governo Temer é Ricardo Barros, eleito deputado federal no Paraná pelo Partido Progressista tendo como maior doador individual de sua campanha, em 2014, Elon Gomes de Almeida, sócio do Grupo Aliança, administradora de planos de saúde. Engenheiro e empresário, o atual ministro defende o fim da universalidade do SUS e a criação de planos populares de saúde, que representam uma ameaça ao sistema público de saúde.

Em 2008, a febre amarela silvestre – então concentrada na região Centro-Oeste, com destaque para o Distrito Federal – foi classificada pelo Ministério da Saúde e boa parte de técnicos e pesquisadores como dentro da normalidade epidemiológica, logo, evoluindo segundo as expectativas técnico-científicas. A imprensa de massa discordou.

A divulgação, com destaque, pelo jornal Correio Braziliense, do primeiro caso suspeito registrado em Brasília (um funcionário do alto escalão do Ministério da Cultura) foi a senha para o agendamento jornalístico da febre amarela em escala nacional por diferentes meios de comunicação. A partir daí, entre o final de dezembro de 2007 e o início de fevereiro de 2008, o aparato midiático generalista manteve uma cobertura intensa do evento, que foi marcada pelo excesso de exposição do tema e pela seleção de repertórios de risco que salientavam a tese de urbanização da doença.

No primeiro recorte temporal, de 21/12/2007 a 29/02/2008, que compreende a publicação da primeira e da última matéria circunscrita ao fenômeno da febre amarela midiática, foram localizadas 120 matérias, das quais 118 foram analisadas (veiculadas em 47 edições).

Utilizando exatamente o mesmo recorte (21/12/2016 a 28/02/2017), na cobertura deste ano foram localizados 75 textos, tendo sido analisados 71, publicados em 21 edições. Ou seja, embora do ponto de vista epidemiológico o evento de 2017 tenha sido consistentemente mais intenso, o volume de matérias publicadas pelo jornal foi cerca de 40% menor do que em 2008.

Febre amarela
Em 2008, o título destaca que morte pode ser decorrente de febre amarela. Cobertura alarmista fez o Brasil passar de exportador a importador de vacinas antiamarílicas. Neste ano, jornal pede cautelaCréditos: reprodução Folha de S. Paulo

Outro aspecto relevante desta análise é da ordem dos sentidos. Há nove anos, a construção da narrativa envolveu três grandes estratégias discursivas epidêmicas: “a doença fora de controle”, com foco no “crescimento progressivo” do número de casos suspeitos; “o inimigo letal”, centrada nas taxas de letalidade e na sintomatologia/tratamento da doença; e a tese da urbanização, dada pela “transmissão generalizada”, sentido produzido a partir da omissão da área de transmissão, que no caso da febre amarela silvestre é rural, dificultando a demarcação territorial do evento para o público leitor (na edição analisada em 2008, concentrado na capital paulista e na Grande São Paulo, portanto, áreas urbanas). Sobre essa última estratégia, é importante ressaltar que a omissão do termo “silvestre” tornou discursivamente as duas formas (silvestre e urbana) um mesmo e único evento.

Em 2017, ao contrário, a demarcação linguística do ciclo em curso foi constante. Desde a primeira matéria (“Suspeitas de febre amarela crescem em MG”, 12/01/2017), sobretudo quando a notícia remetia ao número de casos, o local de sua ocorrência foi constantemente demarcado.

Ainda no âmbito da estratégia “transmissão generalizada”, a palavra-chave da cobertura de 2008 foi “epidemia”, que se caracteriza pela ocorrência de surtos de uma doença de modo simultâneo em diferentes regiões, quando, na verdade, tratava-se de um surto, aumento repentino do número de casos de uma doença em uma região específica.

Na edição tomada como ápice do enquadramento epidêmico de 2008, a de 14 de janeiro, a febre amarela foi manchete de capa (“Ministro vai à TV e nega epidemia de febre amarela”) e destaque principal da editoria Cotidiano, com seis textos. No dia seguinte, 15 de janeiro, a Folha publicou seu primeiro editorial acerca do evento, indicando a relevância do tema para os donos do jornal. Nesse pequeno recorte do corpus de 2008 a palavra “epidemia” (e duas variáveis, “epidemias” e “não-epidemia”) aparecem dez vezes, enquanto “surto”, que era o que de fato estava em curso, apenas uma.

Em contrapartida, na totalidade do corpus de 2017 (71 matérias) a palavra “epidemia” aparece apenas quatro vezes, duas delas no editorial “Febre de vacinas” (27/01). Exatamente para afastar a tese de evolução epidêmica da doença, o texto é peremptório: “Não se pode falar de epidemia no caso da febre amarela”. Em todos os textos em que havia caracterização do evento, o jornal empregou o termo “surto”.

Em 2008, os eixos narrativos “crescimento progressivo” e “inimigo letal” eram frequentemente articulados, inclusive nas 15 chamadas de capa sobre a febre amarela, 12 das quais publicadas quase consecutivamente, em que se destacam repertórios que explicitavam sentidos de descontrole e letalidade da febre amarela (“primeira morte”; “2ª morte”; “5ª morte”; “7 mortes”; “8 o total de mortes”; “9ª morte”).

Em 2017, foram oito capas, mas em apenas duas o número de óbitos foi destacado: “Ministério admite, após 8 mortes, surto de febre amarela” (19/01) e “Cidades paulistas têm três mortes por febre amarela” (24/01).
“Vacine-se”: orientação da imprensa gera esgotamento de estoque antiamarílico no país

“Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem… Vacine-se logo! A febre amarela é uma doença infecciosa causada por vírus e pode ser fatal. Hoje mesmo (terça, 08/01/2008), morreu um homem de 38 anos em Brasília, plena capital da República, com febre alta, dores musculares, náuseas e vômitos. Possivelmente, foi vítima da doença. O alerta nem é mais amarelo, já é vermelho. E a vacina é altamente eficaz. Tomou, está livre da doença”.

O trecho acima, do artigo “Alerta amarelo!”, é um dos exemplos mais emblemáticos do discurso a favor da vacinação. Publicado por Eliane Cantanhêde, apresentada então como uma das jornalistas de política mais influentes do jornal, na coluna Pensata, exclusiva da Folha Online, ele resume bem a autoridade da qual a imprensa se imbuiu – e que gerou uma crise no estoque de vacinas no país.

Em 2008, uma narrativa em forma de fábula alçou a vacina à condição de “poção mágica”, apresentada como um dispositivo capaz de proteger a população do “inimigo letal” de modo “infalível”. Nessa perspectiva, a imprensa passou a atuar como porta-voz do uso irrestrito da vacina, de modo geral sem destacar seus potenciais efeitos adversos. Então, a demanda explodiu, inclusive naquelas regiões que estavam fora das áreas de ocorrência da doença, clássicas e/ou de transmissão viral.

Para se ter uma ideia do impacto desse sentido, entre o final de dezembro de 2007 (primeiras notícias) e 22 de fevereiro de 2008 (esgotamento da pauta) foram distribuídas em todo País mais de 13 milhões de doses da vacina. Desse total, 7,6 milhões de doses foram aplicadas em pouco menos de dois meses, 6,8 milhões só em janeiro.

Um dos três fabricantes mundiais pré-qualificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no período, o Brasil não só suspendeu a exportação do antiamarílico, como também apresentou um pedido de empréstimo de quatro milhões de doses do estoque de emergência global.

São Paulo, que até 2008 tinha mais da metade do seu território livre da circulação do vírus, foi vice-campeão de doses aplicadas (mais de 2,4 milhões), atrás apenas de Goiás (quase 2,8 milhões), endêmico desde o início da década de 2000. Só na capital paulista, foram aplicadas 428.337 doses, mais de cinco vezes do que em 2007 (79.666). Os casos de efeitos adversos aumentaram exponencialmente, chegando a mais do que o dobro daqueles transmitidos pelo mosquito. Então, veio o desfecho mais grave: quatro mortes por febre amarela vacinal, todas no estado de São Paulo.

Em contraposição, na cobertura de 2017, o enquadramento da vacina pode ser classificado como cauteloso. Já na segunda matéria, “Vacina contra a febre amarela requer cautela”, destacada em chamada de capa (13/01), depois de demonstrar os riscos da vacinação indiscriminada, o texto alerta: “Por isso, é preciso seguir à risca as orientações das autoridades sanitárias sobre quais regiões e grupos populacionais devem ser vacinados”.

No editorial já citado (“Febre de vacinas”, 27/01), a preocupação é com o aumento da demanda vacinal em regiões sem recomendação: “Compete ao poder público distribuir doses de maneira eficiente aos locais que de fato necessitam delas. Precisa ainda esmerar-se mais na comunicação sobre quem deve vacinar-se e onde, para prevenir uma epidemia de pânico e a desorganização geral do sistema”.

Antes, em outro editorial (“Alerta amarelo”, 18/01), o jornal já apontara o risco da vacinação sem recomendação: “Em meio a uma corrida indiscriminada por vacinas em 2007 e 2008, houve oito casos de reação adversa grave à vacina, com seis mortes”. Além dos dois editoriais, diferentes matérias e edições trouxeram informações sobre a população-alvo da vacina e os riscos de efeitos adversos.

Este ano, embora tenha pairado um eventual desabastecimento – chegando mesmo a ser detectada a falta pontual da vacina em algumas regiões do País, sobretudo naquelas em que o surto já tinha sido confirmado (Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo) ou nas quais surgiram casos inesperados, como no Rio de Janeiro, em março –, não houve uma “corrida pela vacina”, como a registrada em 2008. Ao longo de 2017, o aumento da demanda vacinal esteve atrelado às recomendações do ministério e das secretarias estaduais e municipais de Saúde, a reboque das ações de contenção do vírus, e não do noticiário.

Não tivesse se desenrolado em contexto político-institucional tão diverso, talvez fosse possível deduzir que a não epidemia midiática de 2017 foi resultado de um aprendizado advindo das consequências da epidemia midiática de 2008, capaz de mudar as práticas do jornalismo de massa na abordagem sobre o tema.

Porém, não sendo esse o quadro geral, restará sempre uma dúvida: se fosse a petista Dilma Rousseff e não o peemedebista Michel Temer a presidir o país, teríamos em 2017 uma febre amarela midiática?
*Claudia Malinverni é jornalista e doutora pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). O artigo completo sobre o tema foi publicado no n° 2 da revista Reciis (Icict/Fiocruz) deste ano

FONTE: https://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/uma-doenca-duas-noticias-a-febre-amarela-nos-governos-lula-e-temer

Ex-governador Sergio Cabral do PMDB, recebia “prêmios” para dar reajuste nas tarifas de ônibus

Posted in Sem categoria on julho 12, 2017 by gusbrum

“Esquema criminoso maléfico, pois prejudica população de baixa renda que paga tarifas”

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral continuou a receber valores desviados no esquema de corrupção de transporte público rodoviário mesmo após ter deixado o governo. A informação consta da investigação do Ministério Público Federal, que acrescentou ainda que Cabral cobrava para conceder reajustes de tarifas de ônibus.

“Temos a informação de que Sérgio Cabral, mesmo após ter deixado o governo em 2014, manteve uma influência política decisiva e tinha muitos créditos a obter da Fetranspor, em razão das negociatas que ele fez durante o seu governo. Então, sempre que havia um reajuste, Sérgio Cabral recebia prêmios da Fetranspor e ele distribuía esses prêmios entre a organização criminosa dele. Importante dizer que esse é um dos esquemas criminosos mais antigos existentes no estado e, ao mesmo tempo, um dos mais maléficos, pois prejudica a população de baixa renda que paga tarifas além do que seriam as tarifas justas e adequadas, em razão do pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos”, afirmou o procurador da República Eduardo El Hage.

Jacob Barata foi preso na noite de domingo, no aeroporto, onde embarcava para Portugal
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“O objetivo dos pagamentos era que eles obtivessem benefícios fiscais e tarifários no transporte. Precisamos descobrir que atos de ofício foram esses feitos pelo Sérgio Cabral que geraram esse pagamento de propina no período. Os pagamentos permaneceram mesmo após o término do segundo mandato do Cabral, até a prisão dele em novembro de 2016”, detalhou o procurador da República no Rio de Janeiro José Augusto Vagos.

As empresas de ônibus do Rio distribuíram, de acordo com o Ministério Público Federal, cerca de R$ 500 milhões de propina para políticos entre 2010 e 2016. Deste total, R$ 260 milhões teriam sido pagos aos alvos da operação desta segunda-feira. Os R$ 240 milhões restantes foram pagos a autoridades com foro privilegiado, cujos nomes não foram revelados.

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Segundo as investigações, através das propinas que eram pagas para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e para o Poder Executivo, os empresários ganhavam benefícios como a ausência de licitação, o reajuste do valor das passagens e isenções fiscais no IPVA e ICMS do diesel.

“Foi descoberta a participação de mais um agente público no esquema, que foi o Rogério Onofre [ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio – Detro]. A ação dele atingia de forma direta as empresas que faziam transporte intermunicipal no Estado. Estamos investigando a concessão de aumentos dos preços de passagem acima do permitido. Por exemplo, quando uma passagem deveria ser reajustada em 2%, ele permitia um aumento de 7%”, disse a procuradora Mariza Ferrari.

O procurador da República Leonardo Freitas destacou ainda que as descobertas da investigação não chegam a surpreender. “Os esquemas do senhor Sergio Cabral e dos seus liderados já passaram pela Secretaria de Obras, já passaram pela Secretaria de Saúde, agora estamos falando do setor de transportes. Portanto, nessa medida o que a gente tem a reconhecer desses fatos é que ele loteou toda a estrutura governamental, todas os contratos foram objetos de pagamento de propina pra sua realização”, disse.

Prisão no aeroporto

Apesar da operação, batizada de “Ponto Final”, ter sido deflagrada nesta segunda-feira (3), o empresário do setor de transporte Jacob Barata Filho foi preso na noite de domingo. Sua prisão foi antecipada porque os agentes receberam informação de que o empresário embarcaria para Lisboa, em Portugal, no domingo. Ele foi preso na área de embarque do aeroporto.

De acordo com o delegado Antônio Beaubrun, há indícios de que Barata tentava fugir do país, pois seus familiares já estavam em Portugal e, quando foi preso, levava uma grande quantia de dinheiro em espécie. “Quando fizemos a prisão, ele estava com mais de R$50 mil reais em moeda estrangeira e tinha mandado a família para Portugal. Temos documentos de empresas dele em Portugal, mas não é oportuno divulgar quais são.”

Segundo o advogado de Barata Filho, o empresário faria uma viagem de rotina ao país europeu, onde tem negócios “há décadas e para onde faz viagens mensais”.

Delação de doleiro

A operação desta segunda-feira foi deflagrada baseada com a delação premiada de Álvaro José Galliez Novis, o doleiro e operador financeiro da quadrilha de Cabral. Em depoimento, Novis informou que sabia dos pagamentos realizados para garantir benefícios relacionados às linhas de ônibus e tarifas. Novis afirmou que foi contratado pelo presidente do Conselho de Administração da Fetranspor, José Carlos Lavouras, para “recolher regularmente dinheiro de algumas empresas de ônibus integrantes dessa Federação, administrar a sua guarda e distribuir a diversos políticos”. As ordens para esses pagamentos, segundo Novis, eram dadas única e exclusivamente por Lavoura, de 1991 até 2016.

As investigações apontam que o dinheiro era recolhido nas garagens das empresas e contabilizado através de planilhas, nas quais constavam os nomes de Lavoura e Rogério Onofre, ex-presidente do Detro, e operadores financeiros de Cabral, como Carlos Miranda.

De acordo com as investigações, a empresa de transporte de valores Trans Expert era usada como ferramenta para lavagem e ocultação do dinheiro da propina. Teriam sido pagos R$ 260 milhões em propina. Entre 2010 e 2016, Sérgio Cabral teria recebido R$ 122 milhões. Já Rogério Onofre teria recebido R$ 44 milhões.

Os mandados de prisão preventiva têm como alvos Jacob Barata Filho (empresário do setor de transportes); Rogério Onofre (ex-presidente do Detro), Lélis Teixeira (presidente da Fetranspor), José Carlos Reis Lavoura (conselheiro da Fetranspor), Marcelo Traça Gonçalves (presidente do sindicato de ônibus), João Augusto Morais Monteiro (sócio de Jacob Barata e presidente do conselho da Rio Ônibus), Cláudio Sá Garcia de Freitas, Márcio Marques Pereira Miranda, David Augusto da Câmara Sampaio,

Os mandados de prisão temporária têm como alvos Carlos Roberto Alves, Enéas da Silva Bueno e Octacílio de Almeida Monteiro.

Aproximadamente 80 policiais federais participaram da operação. Agentes também fizeram buscas nas cidades de São Gonçalo e Paraíba do Sul, no estado do Rio de Janeiro, e nos estados do Paraná e Santa Catarina.

Entre os que ainda estão foragidos está José Carlos Lavoura, que estaria em Portugal e  Marcio Miranda, funcionário da ProSegur.

FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2017/07/03/cabral-recebia-premios-para-dar-reajuste-nas-tarifas-de-onibus-diz-mp/

 

Ex-doleiro de Sergio Cabral (PMDB-RJ) afirma ter escondido US$ 120 milhões em contas no exterior

Posted in Sem categoria on julho 12, 2017 by gusbrum

Em depoimento prestado nesta terça-feira (11), os doleiros Renato e Marcelo Chebar contaram que esconderam US$ 120 milhões, que pertenciam ao ex-governador Sérgio Cabral, em contas no exterior. A delação dos irmãos Chebar faz parte das investigações da Operação Eficiência, que investiga um esquema de propinas envolvendo o ex-governador e o empresário Eike Batista.

De acordo com eles, os recursos teriam como destino pagamentos que seriam realizados para cobrir as despesas da família de Sérgio Cabral. Uma empresa de turismo, com sede em Londres, teria recebido R$ 800 mil.

Conta do ex-governador no exterior chegou a ter mais de US$ 120 milhões
Conta do ex-governador no exterior chegou a ter mais de US$ 120 milhões

Segundo Renato Chebar, entre 2014 e 2016, ele enviou R$ 2 milhões mensais ao exterior, a mando do ex-governador do Rio de Janeiro. Isso mostra que os desvios continuaram mesmo após o fim do mandato de Cabral. Para realizar as operações, o doleiro receberia entre 1% e 1,2%. Apesar de não ter se manifestado sobre as novas informações, o ex-governador tem negado o recebimento de propinas.

No depoimento, Chebar diz que também utilizou os serviços do doleiro Álvaro José Novis, que teria recebido R$ 5 milhões de Cabral em um prédio em Botafogo, na Zona Sul. No local funcionam escritórios das construtoras Andrade Gutierrez e Odebrecht.

FONTE http://www.jb.com.br/rio/noticias/2017/07/11/ex-doleiro-de-cabral-afirma-ter-escondido-us-120-milhoes-em-contas-no-exterior/

Corrupção nos exames antidoping: Referência no mundo dos esportes, médico forjou aval da Anvisa para indicar empresa

Posted in Sem categoria on julho 10, 2017 by gusbrum

Fernando Pilatos/ Gazeta Press
O medico Eduardo De Rose durante palestra sobre doping em simpósio de medicina esportiva
O medico Eduardo De Rose durante palestra sobre doping em simpósio de medicina esportiva

PAULO ROBERTO CONDE

Tido como principal referência no combate ao doping no país, o médico Eduardo de Rose forjou autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para recomendar a empresa A&A Nunes, cujo então proprietário é o atual diretor de operações da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem), Alexandre Velly Nunes.

A Folha obteve documento de abril de 2012 em que De Rose, então secretário-executivo da ABA (Agência Brasileira Antidoping), faz lobby para a A&A Nunes –mais conhecida no mercado pelo seu nome fantasia: No Doping.

Ele atesta que a empresa de origem gaúcha, criada em 2008, é a única do país que detém “autorização da Anvisa para exportar amostras biológicas de urina não contaminadas de atletas, para diagnóstico toxicológico por laboratórios credenciados pela Agência Mundial Antidoping (Wada) no exterior”.

Tal declaração assinada pelo médico era distribuída a confederações, federações e outras entidades esportivas.

Na prática, o endosso valia como importante aval dos serviços oferecidos pela companhia, ainda mais devido às credenciais de De Rose. A carta também fazia com que entidades dispensassem licitações por entenderem que a companhia prestava serviço de caráter exclusivo.

A ABA, atrelada ao COB (Comitê Olímpico do Brasil), era quem regulava o combate ao doping antes de a ABCD, órgão federal fundado em 2011, entrar em operação como uma das promessas de legado dos Jogos do Rio-2016. Antes mesmo de a ABCD começar a operar, em 2013, a ABA foi encerrada pelo COB.

A Anvisa, porém, contesta a declaração do médico. Após analisar o documento a pedido da reportagem, a agência negou ter concedido qualquer permissão para empresas do país exportarem material biológico. Assim, a A&A Nunes jamais recebeu aval dela, como informado.

“A Anvisa não emite qualquer autorização para exportação de amostras biológicas, e também não emitia à época”, disse a Anvisa à Folha, em alusão à declaração assinada por De Rose em 2012. “O documento não foi elaborado pela Anvisa.”

O órgão do governo federal também afirmou que “não anui na exportação de kit antidoping e não emite nenhuma autorização para exportação destes produtos”.

Na declaração da ABA, o médico ressalta outras qualidades da empresa de Nunes. Como, por exemplo, o fato de ela atender às confederações de automobilismo, basquete, canoagem, ciclismo, desportos aquáticos, judô e lutas.

A missiva também diz que a No Doping “conta com oficiais de controle de doping que seguem o Padrão Internacional de Teste da Wada e que possui uma cadeia de custódia das amostras dentro das exigências legais”.

A Folha também obteve outras mensagens trocadas entre o médico e presidentes de confederações nas quais ele recomenda a empresa como mais gabaritada a realizar serviços antidoping. Procurado, De Rose nega ter qualquer ligação com a companhia e diz que só “conhece” os proprietários dela (leia mais abaixo).

INVESTIGAÇÃO

A No Doping detém expressiva fatia do mercado de coleta e envio de amostras no país e foi dirigida por Alexandre Nunes até 2016, quando ele recebeu nomeação para a autoridade brasileira, que funciona como uma secretaria do Ministério do Esporte.

Hoje, ela é gerida por seus filhos, Alexandra e Rodrigo, e permanece em atividade.

A empresa é alvo de investigação do departamento de inteligência da Wada por suspeita de oferecer informação privilegiada a um cliente, o que Alexandra nega.

De Rose pertenceu a comissões médicas do COB e da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) e participou da fundação da Wada.

Ele também foi chefe do departamento antidoping dos Jogos Olímpicos do Rio.

OUTRO LADO

Procurados pela Folha, tanto Eduardo de Rose quanto Alexandre Nunes negaram ter qualquer elo comercial e afirmaram que não se lembravam da declaração.

O médico disse não se recordar do documento que assinou em 2012, quando ainda era secretário-executivo da ABA (Agência Brasileira Antidoping). “Eu não me lembro de ter escrito nada a respeito disso. Mas você está falando de algo que aconteceu em 2012. Faz cinco anos.”

Ele disse que conhecia, sim, a No Doping, mas nunca teve relação com a empresa. “Como é uma empresa que trabalha nessa área no Brasil, penso que ela vai exportar o material. Não sei de autorização da Anvisa para essa exportação. Mas, se escrevi isso, não me lembro.”

Por meio da assessoria de imprensa do Ministério do Esporte, ao qual a ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) se reporta, Nunes disse também não se lembrar do documento.

Ele argumentou que De Rose pode ter citado que a No Doping tinha um cadastro na Anvisa para atuar como coletora de amostras biológicas.

A reportagem, no entanto, enviou o documento assinado pelo médico para apreciação da agência nacional, que por sua vez assegurou que a autorização citada jamais foi concedida.

De Rose e Nunes são próximos. Ambos gaúchos, trabalharam respectivamente como gerente-geral e especialista no planejamento regional do departamento antidoping do Comitê Organizador dos Jogos Rio-2016.

A condução do antidoping da Olimpíada foi criticada em relatório de observadores independentes da Wada. De Rose, por sinal, pertenceu ao comitê executivo da Agência Mundial Antidoping, da qual é membro fundador.

Também foi integrante da comissão médica do COI (Comitê Olímpico Internacional). Ele também é ligado ao COB (Comitê Olímpico do Brasil) e chefia a parte médica da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), que é responsável por realizar os Jogos Pan-Americanos.

Nas décadas de 1970 e 1980, De Rose também trabalhou em equipes brasileiras de futebol.

(ALEX SABINO E PAULO ROBERTO CONDE)

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2017/07/1899653-referencia-antidoping-medico-forjou-aval-da-anvisa-para-indicar-empresa.shtml

Dívida somada dos maiores bancos do Brasil chega a R$ 124 bilhões

Posted in Sem categoria on julho 10, 2017 by gusbrum
“São recursos do povo. Verbas que poderiam ser investidas em áreas como infraestrutura e Previdência”. Maiores bancos do Brasil devem mais de R$ 124 bilhões para a União
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Os grandes bancos comerciais do Brasil são destaque entre os maiores devedores com a União. Juntas, as instituições financeiras somam mais de R$ 124 bilhões, de acordo com levantamento realizado pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), divulgado ontem (5). A natureza de tais débitos envolve itens como Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), atividades de seguros, capitalização, resseguros, planos de saúde e previdência.

De acordo com o relatório, do montante, R$ 7 bilhões correspondem à dívida com a Previdência, R$ 107,5 milhões são referentes ao FGTS e R$ 117 bilhões representam o restante. Os dados inspiram críticas à proposta de reforma da Previdência, capitaneada pelo presidente Michel Temer (PMDB). “Existe dinheiro, muito dinheiro. Existe um órgão responsável pela cobrança que está cada vez mais sucateado, porque não existe interesse do governo em que esse dinheiro seja cobrado. Fazer uma reforma na Previdência dizendo que a conta, mais uma vez, tem que ser paga pelo trabalhador é muito delicado”, disse o presidente do Sinprofaz, Achilles Frias.

Os bancos devem R$ 124 bilhões. São recursos do povo. Verbas que poderiam ser investidas em áreas como educação, saúde, segurança pública, infraestrutura e mesmo a Previdência, mas não é cobrada”, continua. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional possui a área de Estratégias de Recuperação de Créditos para cobrar os valores. Essa dívida pode ser ainda dividida entre situação regular ou irregular. As irregulares correspondem a R$ 82,6 bilhões e representam valores com cobrança ativa em andamento, sem garantia ou penhora de bens em execuções fiscais. Já a dívida em situação regular representa R$ 41,8 bilhões.

Para o senador Paulo Paim (PT-RS), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência, destinada a investigar o déficit no setor, alegado pelo governo federal para mover a reforma, “os grandes devedores partem pela seguinte linha: devo, não nego e não pago. Eles vão continuar brigando na Justiça dentro dos instrumentos que o processo permite. Infelizmente, não são empresas pequenas. São bancos como Bradesco, Itaú, Caixa, Banco do Brasil. Dívidas de bilhões”.

Frias ainda alerta para a possibilidade de o Estado negligenciar ainda mais tais cobranças. “Essas dívidas, que deveriam ser revertidas para o povo, podem ser privatizadas por projetos existentes no Congresso, de autoria e articulados por parlamentares ligados ao governo. Ou seja, deputados e senadores querem privatizar a dívida da União por meio de securitização, concessão, seja qual terminologia for, para permitir que os bancos que devem R$ 124 bilhões cobrem ou não suas próprias dívidas, deixando a população à mercê e sem esses recursos”, afirma.

Enquanto o governo penaliza o cidadão, tributando severamente os trabalhadores e os pequenos e médios empreendedores por um lado, por outro, permite que os bancos do Sistema Financeiro Nacional fiquem livres de cobranças, e no futuro, com as dívidas privatizadas para eles mesmos, tenham o poder de nem sequer cobrar suas dívidas”, completa. Para o senador à frente da CPI da Previdência, “o discurso que é dado pelo governo é sempre o mesmo, que tem que penalizar o trabalhador mais uma vez, se não o Brasil vai quebrar. Mas eles não cobram os grandes devedores. E querem que a gente não reclame”, diz.

A tabela da dívida do Sistema Financeiro Nacional é pública e pode ser vista aqui.

FONTE: https://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/07/divida-maiores-bancos-bilhoes.html

Aluna que pagou R$ 180 mil pelo gabarito ilegal do ENEM pedia ‘fora Dilma”, e “militava” contra a corrupção

Posted in Sem categoria on julho 10, 2017 by gusbrum

Jovem que contratou quadrilha por R$ 180 mil para obter o gabarito da prova do ENEM militava “contra a corrupção de Dilma Rousseff” nas redes sociais
Sofia Azevedo Macedo ENEM corrupção
Sofia Azevedo Macedo

A estudante Sofia Azevedo Macedo, filha de um comerciante de Carbonita (Vale do Jequitinhonha), é suspeita de contratar uma quadrilha especializada em fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2016 e em outros concursos realizados no País.

Um integrante da quadrilha, identificado como Jonathan Galdino dos Santos, foi registrado pela Polícia Federal (PF) testando o sistema com a candidata carbonitense. Ela estaria fazendo a prova em Capelinha (MG).

Segundo a Polícia Federal, Sofia afixou uma espécie de cartão com chip na altura do peito. O equipamento recebia ligações telefônicas e, por meio de um transmissor, enviava o áudio para o ponto, que era do tamanho de uma bateria de relógio e só podia ser colocado ou retirado do ouvido com pinça. Um integrante da quadrilha detida pela PF lia o gabarito para a candidata.

O transmissor também possibilitava que o criminoso ouvisse Sofia, que foi orientada a tossir para confirmar a compreensão das informações repassadas. Ainda de acordo com a PF, a estudante teria pago entre R$ 150 mil e R$ 180 mil para a quadrilha.

“Pela primeira vez constatamos o retorno de áudio por parte do candidato. A maneira que ele usava para demonstrar ao interlocutor que compreendia ou não o gabarito era por intermédio de tosse. Se tossia uma vez ele havia compreendido, se tossia duas vezes, o interlocutor repetia o gabarito”, disse o delegado Marcelo Freitas.

Escutas autorizadas pela Justiça mostram que antes do exame era feito um teste para verificar se o candidato conseguia escutar a voz de quem iria repassar as respostas para ele. Durante o cumprimento dos mandados foram apreendidos vários equipamentos usados na fraude. Confira no diálogo abaixo:

– Jonathan: Sofia, tá me escutando? Dá duas tosses aí, por favor.

– Sofia: [tosse duas vezes, indicando que estava escutando o bandido]

– Jonathan: Correto. Eu vou falar cinco palavras: casa, carro, tatu, prédio e cachorro. Entendeu? Dá uma tossida.

– Sofia: [tosse uma vez, indicando que entendeu a mensagem repassada por Jonathan]

– Jonathan: Pronto. Ok.

“Contra a corrupção”

Nas redes sociais, Sofia militava contra Dilma Rousseff e contra a ‘corrupção’.

Quando a mandatária petista foi reeleita para a Presidência da República em 2014, a jovem escreveu: “ridículo; o gigante acordou, deu uma mijadinha e voltou a dormir por mais quatro anos. Lamentável.”

No ano passado, ela celebrou um panelaço anti-Dilma realizado em Belo Horizonte.

Confissão com padre

As investigações da Polícia Federal iniciaram há 15 dias, quando uma candidata inscrita no Enem desabafou com um padre e foi aconselhada a denunciar a organização criminosa.

Após a denúncia, os integrantes da quadrilha foram monitorados de perto por agentes federais. O líder da quadrilha, que cursou medicina em Ipatinga (MG), foi registrado em vídeo recebendo dinheiro de um comparsa.

https://www.youtube.com/watch?v=VlSmvHbEvdU

FONTE: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/11/aluna-que-pagou-r-180-mil-por-prova-do-enem-pedia-fora-dilma-contra-corrupcao.html