PF prende Marco de Luca, empresário envolvido em mais de R$ 12,5 milhões em propinas durante administração do PMDB no Rio de Janeiro

Lava Jato: PF prende no Rio empresário que fornecia merenda a escolas e comida a presídios
Marco de Luca esteve na “farra dos guardanapos”. Empresa da família teve como sócio irmão de Paes
Jornal do Brasil
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A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (1/6) a Operação Ratatouille, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso de desvio de recursos em fornecimento de merenda escolar e alimentação de detentos no estado do Rio de Janeiro, tendo como contrapartida o pagamento de propina a autoridades públicas.  O empresário Marco Antônio de Luca, ligado às empresas de alimentos Masan e Milano, foi preso preventivamente em sua residência, na Avenida Vieira Souto, em Ipanema.

As investigações, iniciadas há seis meses, indicam o pagamento de pelo menos R$ 12,5 milhões em vantagens indevidas a autoridades públicas por Marco de Luca, que mantinha contratos com o Governo do Estado do Rio. A empresa forneciam também alimentação para hospitais públicos do estado e durante os Jogos Olímpicos do ano passado. Nos últimos dez anos, as duas empresas tiveram contratos superiores a R$ 700 milhões com o governo do Rio de Janeiro.

De acordo com depoimento de Luiz Carlos Bezerra ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio, Marco Antônio é a pessoa identificada como Loucco no controle de caixa do esquema do ex-governador Sérgio Cabral. São pelo menos 30 registros entre agosto de 2014 e novembro de 2016 feitos por “Loucco”.

Segundo os procuradores do Ministério Público Federal (MPF), Eduardo El Hage e Fabiana Schneider, a suspeita é que as empresas de De Luca aumentaram sua participação nos contratos estaduais – que continuam em vigor – mediante pagamento de propina.

Marco Antônio de Luca aparece nas fotos da "farra dos guardanapos" com Cabral. Numa das empresas da família, Cristianne de Luca foi ainda sócia do irmão de Eduardo Paes, Guilherme Paes
Marco Antônio de Luca aparece nas fotos da “farra dos guardanapos” com Cabral. Numa das empresas da família, Cristianne de Luca foi ainda sócia do irmão de Eduardo Paes, Guilherme Paes

“São dezenas de contratos e vários deles estão em vigor”, disse o procurador. El Hage afirmou que há suspeita de que os pagamentos tenham sido feitos pelo empresário a operadores financeiros de Sérgio Cabral, mesmo depois que o ex-governador renunciou, em 2013. “Conseguimos comprovar que R$ 12,5 milhões de propina foram pagos pelo Marco Antonio de Luca a um dos operadores financeiros.”

Em mensagens de texto e e-mails enviados por aplicativos criptografados, os investigadores encontraram indícios de pagamento de mesada de R$ 200 mil, o que, segundo El Hage, indica que o valor total pago deve ser ainda maior.

Em 2008, a Masan Serviços Especializados tinha apenas seis contratos com o Estado. Em 2015, já eram 26 os contratos firmados. Pertencente ao mesmo grupo familiar, a Comercial Milano Ltda tinha, em 2016, mais 41 contratos com o estado, que somam R$ 300 milhões.

As empresas prestavam serviços a escolas, hospitais e presídios do estado. Apenas a Masan recebeu R$ 2,1 bilhões para o fornecimento de merenda escolar e alimentação para detentos. A procuradora Fabiana Schneider destacou o crescimento expressivo no volume de contratos no período.

“Essa nova etapa [das investigações] demonstra que os setores mais sensíveis da administração pública para a sociedade estão profundamente afetados pelas práticas de corrupção que têm sido reveladas pouco a pouco”.

Foram cumpridos também nove mandados de busca e apreensão: dois em residências e sete em empresas. Os agentes apreenderam três veículos de luxo, 16 obras de arte e R$ 400 mil reais em dinheiro.

A Justiça determinou que o Comitê Rio 2016 forneça informações sobre seus contratos com a Masan, em um prazo de 24 horas. Segundo a procuradora Fabiana Schneider, há indicativo de que Cabral tenha recebido propina da empresa, após sua renúncia e durante o período de organização dos Jogos Olímpicos.

O empresário será indiciado por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Após os procedimentos de praxe, ele será encaminhado ao sistema prisional do estado.

Guardanapos na cabeça e negócios com irmão de Eduardo Paes

O empresário é um dos integrantes do grupo que apareceu em fotos polêmicas com guardanapos na cabeça, numa comemoração de luxo em Paris com Cabral, secretários de Estado e empresários.

Numa das empresas da família De Luca – a Mgcal (CNPJ: 02.312.812/0001-06) -, Cristianne de Luca foi ainda sócia do irmão do ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, Guilherme Paes. A empresa comercial foi aberta em 1997 e não está mais ativa.

A família também montou um negócio de bares em vários pontos da Zona Sul do Rio, com a marca Riba.

A operação, nova fase da Lava Jato no Rio de Janeiro, é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal. Quarenta policiais federais cumprem um mandado de prisão preventiva e nove mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal/RJ, na capital fluminense (Barra da Tijuca, Centro, Ipanema e Leblon) e nos municípios de Mangaratiba/RJ e Duque de Caxias/RJ.

O nome da operação remete a um prato típico da culinária francesa, em referência justamente ao jantar em restaurante de alto padrão em Paris, no qual estavam presentes diversas autoridades públicas do estado do Rio de Janeiro e empresários que possuíam negócios com o Estado.

FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2017/06/01/lava-jato-pf-prende-no-rio-empresario-que-fornecia-merenda-a-escolas-e-comida-a-presidios/

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