Carne, fila do sus, vestibular, tudo é fraudado no Brasil. Desta vez é o leite.

VALE DO TAQUARI
MP prende suspeitos de fraude na região

Proprietário de uma transportadora em Estrela e dono de uma empresa de laticínios em Travesseiro foram presos durante operação do Ministério Público Estadual (MPE). Ambos são suspeitos de organização criminosa. Região volta a ser alvo de investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra fraudes na cadeia leiteira

Crédito: Giovane WeberConforme matéria de 2016, a Rancho Belo envia produtos para os vales do Taquari e Rio Pardo, Serra Gaúcha e Região Metropolitana, e gera mais de 15 empregos diretos. O leite é fornecido por cerca de 200 produtores da região, e a média produzida varia entre 50 e 600 litros diários.
Conforme matéria de 2016, a Rancho Belo envia produtos para os vales do Taquari e Rio Pardo, Serra Gaúcha e Região Metropolitana, e gera mais de 15 empregos diretos. O leite é fornecido por cerca de 200 produtores da região, e a média produzida varia entre 50 e 600 litros diários.

Dois empresários da região foram presos ontem de forma preventiva durante a 12ª Operação Leite Compen$ado, que investiga transporte e industrialização de produtos lácteos. Para os investigadores, empresas recebem e repassam entre si leite cru, creme de leite e soro de creme fora dos padrões previstos pela lei. Adição de soda cáustica e água, e utilização de leite vencido são outras suspeitas.

Eduardo Grave, proprietário da Laticínios Rancho Belo, de Travesseiro, e o transportador Evandro Luís Kafer, da A. C. Tressoldi Transportes Ltda, de Estrela, e outros três homens – dois detidos e um foragido – foram presos preventivamente suspeitos de comercialização de produto lácteo impróprio para consumo humano.

A operação é coordenada pelo Ministério Público do Estado (MPE), com apoio do Gaeco, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Receita Estadual e Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

Com sede na estrada geral Felipe Essig, no interior de Travesseiro, a laticínios Rancho Belo é um dos principais alvos da operação. Além da marca própria, a empresa instalada em janeiro de 2016 no pequeno município – com auxílio de R$ 250 mil do Executivo em serviços de terraplenagem e na compra de área – também fabrica e envaza leite para a rede de supermercados Dia%.

Na sede da empresa, de acordo com os promotores de Justiça, Mauro Rockenbach e Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, não foi encontrado produto vencido ou adulterado. Grave foi preso pela manhã, no local. Lá, investigadores procuravam possíveis laudos manipulados e outros documentos. A suspeita é de produção e venda de produtos vencidos e inadequados para o consumidor.

Em uma das gravações apresentadas pelo MPE, dois suspeitos falam sobre o destino de uma carga de “creme podre”. Um dos investigados responde: “pra Rancho Belo”. O outro interlocutor então questiona: “e aceitam lá daquele jeito?”. A resposta é breve. “Lá aceitam de qualquer jeito. Até creme pegando fogo”.

Além da prisão do empresário, o empreendimento teve as atividades suspensas pela Fepam em virtude de irregularidades na Licença de Operação e inadequação de descarte de resíduos, entre outros problemas verificados. Segundo os promotores, o empreendimento tinha alvará municipal, quando o tamanho da área exige que tal documento seja expedido pelo Estado.

“Ele demonstra estar tranquilo”

A reportagem falou com o advogado de Grave, Ronaldo José Eckhardt. “Apesar de estar indignado com a situação, ele demonstra estar tranquilo. Nega veementemente qualquer irregularidade, e diz que possui todas as análises de laboratório. Que está tudo certo”, informa o procurador designado para defender o empresário de Travesseiro, que está preso no presídio de Arroio do Meio.

Grupo de fiscalização cumpriu mandados de busca em duas empresas do Vale
Grupo de fiscalização cumpriu mandados de busca em duas empresas do Vale
Crédito: Divulgação MP

Prisão no Cristo Rei, em Estrela

Evandro Luís Kafer, um dos sócios-proprietários da A. C. Tressoldi Transportes Ltda, com sede no bairro Cristo Rei, em Estrela, foi preso em casa, na manhã de ontem. A residência fica no mesmo endereço da empresa. Ele é suspeito de auxiliar no transporte e revenda de produtos inadequados ao consumo.

Em um telefonema interceptado pelo MPE, Kafer conversa com outro suspeito sobre o mercado de laticínios. No trecho divulgado, eles falam sobre cargas de cremes enviadas ao estado de Goiás com acidez acima do permitido pela legislação vigente. O Sistema de Inspeção Federal (SIF) teria solicitado a devolução do produto, que, pelo teor da conversa, fora produzido pela Rancho Belo.

A reportagem ligou para a sede da Tressoldi Transportes Ltda. Quem atendeu foi outra sócia, que preferiu não se manifestar sobre a prisão e sobre o possível envolvimento da empresa nas fraudes de produtos apontadas pelos dois promotores de Justiça do Estado.

Em mais de dez Certificados Técnicos de Análise emitidos pelo Mapa realizados em leite cru, leite UHT e nata, o laboratório detectou índices fora dos padrões.

Para o MP empresários, ordenavam a adição de soda cáustica e água para corrigir a acidez e eliminar micro-organismos do produto já vencido e impróprio para
o consumo.

Os laudos realizados pelas próprias empresas estariam sendo mascarados, para que tanto a fiscalização quanto os compradores não visualizassem os problemas.

Detalhes da 12ª fase da operação

As outras marcas e empresas investigadas são o queijo e creme de leite Bonilé, fabricado pelo Laticínios Modena, de Nova Araçá, e o queijo Princesul, do Laticínios C&P, de Casca. A previsão é que mais de 40 pessoas sejam ouvidas em depoimentos até a próxima semana, quando o MP apresenta a denúncia à Justiça da Comarca de Arroio do Meio.

Claudionor Mognon e Henrique Alessi Pasini, funcionários da Laticínios Modena, também foram presos de forma preventiva ontem. Flávio Mezzomo, da Laticínios Princesul, foi orientado a não se apresentar ao MP e, até o fechamento desta edição, era considerado foragido da Justiça.

Os promotores informam que as investigações iniciaram em outubro de 2016. “Uma organização criminosa se instalou na região para fraudar o produto, recuperando leite impróprio para consumo”, diz Rockenbach. A investigação, segundo o MPE, aponta que “leite que só poderia ter como destino a alimentação de animais foi usado para a industrialização de produtos para humanos.”

Escutas

Durante a conversa, dentre outros assuntos, o interlocutor pergunta: “mandaram pra onde aqueles creme podre lá?”, ao que o investigado responde: “pra Rancho Belo”. Diante da resposta, o interlocutor faz nova pergunta: “e aceitam lá daquele jeito?”, ao que o investigado responde com risos e em tom irônico: “lá aceitam de qualquer jeito piá” sendo comentado pelo interlocutor: “até creme pegando fogo”

Quando Ricardo disse a Evandro: “Eu falei pra ocê, cara, aquilo lá tava demorando a pegar” fica claro que eles já sabiam que a Rancho Belo, já há algum tempo, costumava negociar creme fora dos padrões mínimos de qualidade

FONTE: http://www.jornalahora.com.br/2017/03/15/mp-prende-suspeitos-de-fraude-na-regiao/

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