Diretor da RioTrilhos, Heitor Lopes de Sousa Junior ligado ao PMDB do RJ, foi preso acusado de estar envolvido em esquema que desviou mais de R$ 220 milhões

POR CHICO OTAVIO E MARCO GRILLO

Luiz Carlos Velloso é preso em casa em mais uma etapa da Lava Jato, em Copacabana. Foto de gabriel de paiva/ Agência O Globo – Gabriel de Paiva / O Globo

RIO — Em novo desdobramento da Lava-Jato no Rio, a Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira pela manhã dois mandados de prisão contra o diretor da RioTrilhos, Heitor Lopes de Sousa Junior, e o subsecretário de Turismo, Luiz Carlos Velloso (ex-subsecretário estadual de Transportes na gestão de Sérgio Cabral). A ação, batizada de “Tolypeutes” em referência ao equipamento “Tatuzão” utilizado nas escavações das obras do metrô, é um consequência da investigação de corrupção, pagamento de propina e contratos suspeitos da Linha 4, no esquema chefiado pelo ex-governador.

Velloso exerceu o cargo na Secretaria de Transportes no período em que a pasta foi comandada pelo deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ). As investigações são fruto de um acordo de leniência realizado pela Carioca Engenharia, cujos executivos indicaram o esquema de corrupção existente na Secretaria de Estado de Obras do Rio, consistente na cobrança de propina das empreiteiras envolvidas nos bilionários contratos de obras civis, com algumas variações, na Secretaria Estadual de Transporte e na Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (Riotrilhos), especificamente no contrato de construção do Metrô Linha 4.

Agentes da PF, procuradores do Ministério Público Federal e auditores da Receita Federal estão nas ruas para cumprir também sete mandados de condução coercitiva e outros de busca e apreensão.

As prisões foram feitas na Lagoa e em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Ao deixarem o prédio onde moram, em Copacabana, Velloso e a mulher dele, Renata Borges Monteiro, foram alvos de xingamentos por parte das pessoas que acompanhavam a operação na rua, mas não houve agressão. Nenhum deles quis falar com a imprensa. Renata é alvo de condução coercitiva. Em nota, a Secretaria estadual de Turismo afirmou que o subsecretário exerce a função desde janeiro de 2015 com “lealdade e competência”.

Na Lagoa, foi preso Heitor Lopes de Sousa Junior. Ele é investigado por suspeita de recebimento de propina em contratos da Linha 4 do metrô, sempre em espécie e no canteiro de obra. Ele era sócio de duas empresas que prestavam serviço à construção da linha e teria recebido, de acordo com o MPF, R$ 5,4 milhões entre 2010 e 2013.

Populares vibram com a prisão de Luiz Carlos Velloso, em mais uma etapa da Lava Jato, em Copacabana – Gabriel de Paiva / O Globo

Segundo o MPF, Heitor e a mulher Luciana Cavalcanti Gonçalves estudavam dar entrada em um pedido de cidadania portuguesa, o que indicaria uma possível fuga. Luciana faz parte do quadro de sócio da empresa Arqmetro Arquitetura e Consultoria, um dos alvos de busca e apreensão.

O MPF pede o bloqueio de R$ 220 milhões de sete pessoas e três empresas, sendo R$ 36 milhões de Heitor e outros R$ 12 milhões de Velloso, preso em Copacabana.

A prisão preventiva do diretor da RioTrilhos foi pedida, segundo os promotores, para evitar uma possível fuga. Em nota, a RioTrilhos afirmou que “desconhece o teor das acusações e se coloca à disposição para eventuais esclarecimentos”.

Heitor Lopes de Sousa Júnior, diretor da RioTrilhos, chega à Superintendência da PF – Pablo Jacob / O Globo

O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) foi preso pela PF em 17 de novembro de 2016 na Operação Calicute, em ação conjunta da Justiça Federal do Rio e de Curitiba. Ele se encontra atualmente no presídio Bangu 8, no Complexo de Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Saiba quem são os alvos da operação:

Luiz Carlos Velloso (Ex-subsecretário de Transportes do Rio – prisão preventiva)

Heitor Lopes de Sousa Júnior (Diretor da RioTrilhos – prisão preventiva)

Luciana Cavalcanti Gonçalves Maia (Mulher de Heitor – condução coercitiva)

Jean Louis de Billy (Sócio das empresas Arqline e Arqmetro Arquitetura – condução coercitiva)

Manoel José Salino Cortes (Sócio da MC Link Engenharia – condução coercitiva)

Patrícia Gomes Cavalcante (Gerente do Banco Santander – condução coercitiva)

Renata Loureiro Borges Monteiro (sócia da Zillion Assessoria e mulher de Velloso- condução coercitiva)

Juscelino Gil Velloso (irmão de Luiz Carlos Velloso – condução coercitiva)

Patrícia Franco de Moraes Rego ( ex-mulher de Luiz Carlos Velloso – condução coercitiva)

Busca e apreensão nas empresas:

MC Link Engenharia Ltda

Arqline Arquitetura e Consultoria

Arqmetro Arquitetura e Consultoria

Zillion Assessoria e Consultoria Empresarial Ltda.

FONTE: O Globo http://oglobo.globo.com/brasil/diretor-da-riotrilhos-subsecretario-de-turismo-sao-presos-em-mais-uma-etapa-da-lava-jato-no-rio-21055913

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