Delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Youssef Abou Chapin, é acusado de enriquecimento ilícito

03/06/2016 18h40 – Atualizado em 06/06/2016 14h27

Youssef Chahin é sócio de delator da operação em empresa na capital.
MP investiga enriquecimento ilícito; MPF analisa se caso fica em Curitiba.

Tahiane Stochero, Aline Pavaneli e Adriana JustiDo G1 São Paulo e do G1 PR
Delegado geral Youssef Abou Chahin (Foto: Rodrigo Paneghine/Divulgação/SSP-SP)Delegado geral Youssef Abou Chahin (Foto: Rodrigo Paneghine/Divulgação/SSP-SP)

O Ministério Público do Estado de São Paulo, o Ministério Público Federal e a Procuradoria-Geral do Estado realizam apurações sobre suspeita de enriquecimento ilícito do delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Youssef Abou Chahin. O G1 questionou várias vezes a Secretaria de Estado de Segurança Pública sobre as investigações, mas não obteve retorno (veja mais abaixo).

Uma das investigações foi reaberta após a divulgação do depoimento um dos operadores do esquema de corrupção instaurado na Petrobras, Roberto Trombeta, ligado ao doleiro Alberto Youssef, de quem Chahin é sócio numa empresa de venda de veículos, segundo a Receita Federal.

No depoimento, Trombeta afirma que um encontro realizado em agosto de 2014 para discutir pagamento de propina ocorreu em um escritório na Avenida Luiz Carlos Berrini, 1461, 1º andar, na Zona Sul de São Paulo. O endereço é um dos que serviram de sede para a Full Time Intermediação de Negócios e Veículos, empresa em que o delator e o delegado-geral da polícia são sócios.

No encontro, o empresário Benedito Rodrigues Oliveira, conhecido como Bené, pediu ajuda a Trombeta “para que pudessem indicar alguém para fazer pagamentos a terceiros em seu nome” e “deixou transparecer”, segundo os termos da delação, feita em 29 de abril, à qual o G1 teve acesso.

Trombeta afirma que nenhum compromisso chegou a ser firmado na ocasião e que, posteriormente, numa segunda reunião, soube que a montadora Caoa pagaria R$ 3 milhões a Bené. Para tanto, Trombeta e um segundo delator teriam de disponibilizar um funcionário para buscar parcelas da quantia semanalmente na sede da montadora e entregar ao empresário mineiro.

Dono de uma gráfica que prestou serviço para a campanha de 2014 do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, Bené é considerado o operador do esquema de corrupção que envolve o governador mineiro e é investigado pela Operação Acrônimo, também do MPF e da Polícia Federal.

Inquérito contra o delegado-geral
Com base nas novas informações denunciadas por Trombeta, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social reabriu em 31 de maio um inquérito civil que apura enriquecimento ilícito que havia sido arquivado em 2015 por falta de provas. O inquérito havia sido aberto também em 2015 após uma denúncia anônima.

O objetivo, agora, segundo promotores ouvidos pelo G1, é investigar o enriquecimento patrimonial do delegado-geral de São Paulo, e se não houve fraudes na composição societária da empresa. Conforme a Receita Federal, o capital social da Full Time é de R$ 1,2 milhão.

Chahin era diretor-geral do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) da Polícia Civil quando compôs a sociedade com o operador do esquema Trombeta. As investigações agora do MP e do MPF também buscam saber se Trombeta objetivava ter uma espécie de proteção de Chahin em relação a operações policiais.

Chahin foi alçado ao posto de delegado-geral em janeiro de 2015, convidado pelo atual ministro da Justiça do governo Michel Temer, Alexandre de Moraes.  Na época, Moraes tinha acabado de assumir como secretário de Segurança do Estado.

Outra investigação, agora criminal, foi aberta contra Chain em 18 de abril, a pedido Procuradoria-Geral do Estado. A representação criminal está em segredo no Tribunal de Justiça como uma notícia crime. Tudo começou com uma denúncia recebida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco, do MP), de incompatibilidade de patrimônio do delegado com a renda.

Em 5 de maio, após as novas informações, o desembargador Roberto Neves Amorim, relator do caso, deu 30 dias para o delegado-geral apresentar sua defesa sobre os fatos novos apresentados na delação.

 

OPERAÇÃO LAVA JATO
PF investiga esquema de corrupção
Lava Jato SP
Com base na delação premiada de Trombeta, o Ministério Público Federal de São Paulo pediu à coordenação da Força Tarefa Lava Jato em Curitiba, no Paraná, todas as informações referentes ao operador do esquema Trombeta e ao esquema de lavagem de dinheiro.

Os procuradores farão uma devassa no material da operação que investiga o esquema na Petrobras para fazer uma análise de conexão: significa verificar se a apuração sobre o delegado-geral paulista fica com os procuradores da Lava Jato no Paraná ou se passará a ser responsabilidade do MPF de São Paulo em uma investigação a parte.

Outro objetivo é ver se o foro privilegiado do delegado perante ao Tribunal de Justiça de São Paulo nas investigações que já correm por aqui também alcança a Justiça Federal.

Outro lado
G1 questionou várias vezes a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) sobre as denúncias, mas não obteve retorno.

Em nota jornal Valor Econômico, a SSP respondeu que “o delegado Youssef Chahin esclarece que é sócio cotista da empresa Full Time, que tem a senhora Roberta da Rocha Trombeta como sócia gerente e administradora. A Full Time está sediada em imóvel que também abriga outra empresa administrada pela mesma sócia-gerente”. No texto da SSP, conforme o jornal, ele negou que estava sendo investigado.

A defesa do empresário Benedito Rodrigues Oliveira Neto, preso em maio durante a Operação Acrônimo, da Polícia Federal, é dono de uma gráfica que prestou serviços ao PT durante a campanha eleitoral de 2014. A defesa dele sempre afirmou que ele está cooperando com a Justiça e fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República.

A defesa da Caoa declarou que a empresa não pagou propinas e que contratou várias consultorias que foram pagas por serviços prestados. A Caoa também afirmou não ter nenhuma relação com o governador de Minas Gerais.
FONTE: O GLOBO
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/06/delacao-na-lava-jato-reabre-apuracao-contra-delegado-geral-de-sp.html

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