Mais de R$ 50 milhões foram subtraídos dos cofres da Caixa Econômica Federal em esquema de empréstimos fraudulentos

CAMILA DE ALMEIDA

Dois dos presos eram gerentes em agências da Caixa Econômica

Mais de R$ 50 milhões foram subtraídos dos cofres da Caixa Econômica Federal em esquema de empréstimos fraudulentos protagonizado por agentes públicos do banco, empresários, contadores e “laranjas”. Na manhã de ontem, quando foi deflagrada a operação Caixa Preta pela Polícia Federal no Ceará, 13 integrantes do grupo criminoso foram presos. Todos em Fortaleza. Para chegar aos suspeitos, 110 policiais federais investigaram, entre 2012 e 2014, o esquema, denunciado a partir de auditoria da Caixa. A princípio, segundo o delegado Gilson Mapurunga da Costa, o banco havia detectado irregularidades em 14 contratos. Hoje, a contagem chega a 409. Além disso, segundo o delegado, 114 empresas teriam sido diretamente beneficiadas pelos empréstimos. Muitas delas associadas à construção civil.
“Mas a maioria (das empresas) nem existia”, afirmou Mapurunga, em coletiva para a imprensa na sede da Polícia Federal, na avenida Borges de Melo, ontem. Segundo ele, o esquema era facilitado por dois gerentes que concediam os empréstimos ignorando notas básicas e garantias do banco. “Conseguidos os empréstimos, os valores eram imediatamente sacados ou transferidos para outras empresas. Em alguns casos, eram utilizados para viabilizar o pagamento de prestações menores para, com isso, conseguir maiores”, detalhou. “Eram fraudes grosseiras”.
Entre os 13 capturados pela Polícia Federal, que não tiveram identidade divulgada, dois eram os gerentes da Caixa e lá trabalhavam há muito tempo, tendo exercido outras funções antes. Um deles já havia sido preso em fase da Operação Fidúcia, que estourou no ano passado e também investigou fraudes em empréstimos da Caixa Econômica Federal. Mapurunga frisou, entretanto, que, na operação de agora, “são outros grupos empresariais sem nenhuma ligação com os capturados na Fidúcia”.
Investigação

Foram expedidos ontem 38 mandados pela 32ª Vara da Justiça Federal: 15 de prisão temporária e 23 de busca e apreensão — um em Recife. Em Fortaleza, acredita-se que os suspeitos agiam, inicialmente, aliciando pessoas para integrar o quadro societário de empresas de fachada.
 

Os suspeitos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica, uso de documento falso, peculato, corrupções ativa e passiva, crime financeiro, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Dois deles, associados aos grupos empresariais, continuam foragidos. A Polícia Federal não descarta haver mais envolvidos.

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