Delator estima desvios para PMDB em até R$ 100 milhões

16/6/2016
Impressão

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado vai devolver aos cofres públicos R$ 75 milhões, segundo o que ficou definido em sua colaboração premiada, dos quais uma parte para a União e outra para a Petrobras. Em seus depoimentos, ele estimou ter desviado cerca de R$ 100 milhões para o PMDB e disse que conseguia atender cerca de 60%, sua “taxa de sucesso”, dos pedidos de propina feitos pelos políticos.
Aos investigadores Machado disse que recebeu R$ 72 milhões desviados dos contratos fechados pela subsidiária da Petrobras. Segundo o delator, foram R$ 2 milhões “a título de vantagens ilícitas, decorrentes das sobras dos repasses a políticos, a maior parte após 2008, além de R$ 70 milhões no exterior”.
Embora tenha declarado que manobrou milhões de reais nos últimos anos em benefício de inúmeros políticos, Sérgio Machado declarou à Receita Federal que era dono, em dezembro de 2015, de um patrimônio total de R$ 1 milhão, com destaque para R$ 480 mil de um plano de previdência privada na Caixa Econômica Federal. Ficou definido que Machado terá que pagar R$ 10 milhões em 30 dias e o restante, em 18 meses. Ele poderá ser condenado a até 20 anos de prisão, mas começará a cumprir pena em regime fechado especial, que prevê prisão domiciliar. Ele ainda não é réu em ações da Operação Lava Jato.
PORCENTAGEM
Segundo o delator, os contratos de prestação de serviços da Transpetro estabeleciam propina de 3% e, nos contratos de estaleiros, entre 1% e 1,5%. Os valores eram acertados diretamente por Machado com os empreiteiros. Os peemedebistas recebiam os recursos em dinheiro vivo ou por meio de doações legais, registradas na Justiça Eleitoral, das empresas fornecedoras da Transpetro.
SENHAS E CODINOMES
Machado também contou que criou um sistema próprio para entrega de dinheiro a políticos quando não se tratava de doações eleitorais. A entrega da propina funcionaria da seguinte maneira: Machado procurava “diretamente o dono ou o presidente” da empreiteira e pedia o dinheiro. Após a resposta positiva, ele inventava o nome de uma pessoa que iria procurar os recursos em endereço e data previamente indicados pela empreiteira. Machado disse ainda que depois procurava o político ou um preposto dele e passava as informações do local da entrega do dinheiro e o codinome que ele havia inventado e que deveria ser utilizado na apresentação. Dessa forma, disse o delator, a empreiteira não tinha certeza sobre a identidade do político beneficiado e também o político não tinha certeza sobre qual empresa estava pagando a propina.
“Nenhuma das partes (empresa e políticos) sabia quem era quem, a não ser no caso das doações oficiais”, afirmou o delator.
Alguns dos nomes inventados foram Francisco, Ricardo, Abílio, Fernando, André, Antonio e Pedro.
Algumas das senhas usadas foram “melancia”, “arara” e “sol”. (Folhapress)

Propina para Aécio

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado relatou em sua delação premiada que participou da captação de recursos ilícitos para bancar a eleição do hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG) à presidência da Câmara dos Deputados no ano de 2001. Aécio já é investigado em dois inquéritos abertos a partir da delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS). Segundo Machado, ficou acertado entre ele, Aécio e Teotônio Vilela Filho, à época presidente nacional do PSDB, que levantariam recursos financeiros para ajudar cerca de 50 deputados a se eleger, o que viabilizaria o apoio à eleição de Aécio ao comando da Câmara. Esse recurso foi solicitado à campanha nacional de Fernando Henrique Cardoso, que se reelegeu presidente em 1998. Foram arrecadados cerca de R$ 7 milhões à época, de acordo com Sérgio Machado, dentre recursos que vieram de empresas e também do exterior. Sérgio Machado à época era senador pelo PSDB e não presidia a Transpetro -depois iria para o PMDB. Machado afirma que parte dos recursos veio da campanha de FHC, por intermédio de Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações. Ele diz que Mendonça de Barros assumiu a função de cuidar dos recursos após a morte do ex-ministro Sérgio Motta, em 1998. “O presidente Fernando Henrique Cardoso não queria que o PSDB disputasse a presidência da Câmara porque tinha medo de fissuras na sua base politica”, afirmou no depoimento. Aécio foi deputado federal de 1987 a 2002 e se elegeu em fevereiro de 2001 presidente da Câmara, cargo que ocupou por dois anos.

 

FONTE UMUARAMA ILUSTRADO http://www.ilustrado.com.br/jornal/ExibeNoticia.aspx?NotID=73438&Not=Delator%20estima%20desvios%20para%20PMDB%20em%20até%20R$%20100%20milhões

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