Construtora é acusada de desvios de R$ 370 milhões

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Ministério Público Federal apresenta em Brasília os dados da Operação Saqueador: sem funcionários 
TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL
A empreiteira Delta e seu dono, Fernando Cavendish, 53 anos, foram alvos, ontem, de uma operação da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal) envolvendo os empresários Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, 53, e Adir Assad, 63. Segundo os policiais, o esquema lavou R$ 370,4 milhões desviados de obras públicas a firmas de fachada criadas por Cachoeira e Assad.
Agentes disseram que a Delta recebeu dinheiro público para executar obras que não saíram do papel, como a transposição do Rio Turvo, no Sul do Estado. A empresa teria recebido R$ 80 milhões pela empreitada não realizada. A investigação apontou também fraudes na obra de construção do parque aquático Maria Lenk, que receberá provas de salto ornamental na Olimpíada, e em estradas ou limpeza de rios no País. As delações premiadas do senador Delcídio do Amaral e de executivos da Andrade Gutierrez feitas na Operação Lava Jato foram usadas para embasar as investigações.
O juiz Marcelo Brêtas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, determinou a prisão de Cavendish, Cachoeira e Assad, além do empresário Marcelo Abbud, 63, e Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta. Cavendish está fora do País. Policiais foram ao apartamento do empresário na zona sul do Rio, mas não o encontraram. Segundo amigos, o empresário está em Ibiza, na Espanha, e deve voltar ao País nesta segunda-feira. Já Cachoeira foi preso em casa, em Goiânia, e chegou ao Rio escoltado por policiais na tarde de ontem. Ele já responde na Justiça por vários crimes. Em 2012, Cachoeira foi preso sob acusação de chefiar um esquema de jogos ilegais e de corrupção de agentes públicos. Ele foi condenado a 39 anos de prisão, mas recorre da pena em liberdade.
A defesa de Abbud negocia quando o empresário irá se entregar. Outras 18 pessoas, entre, executivos, diretores, a tesoureira e conselheiros da Delta foram denunciados e vão responder o processo em liberdade. De acordo com as investigações, entre 2007 e 2012, a Delta teve mais de 96% de seu faturamento vindo de verba pública – algo em torno de R$ 11 bilhões, sendo R$ 6,6 bi de contratos com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte). De acordo com o MPF, R$ 370,4 milhões foram “lavados” pelos chamados operadores em dois esquemas. Um capitaneado por Cachoeira, outro por Adir Assad. A Delta realizou pagamentos para 18 empresas de fachada abertas pela dupla. Essas companhias não tinham funcionários.
Algumas delas, como a S.P. Terraplanagem Ltda., de Adir Assad recebeu R$ 47,3 milhões. A sede ficava numa casa e esse dinheiro nunca foi usado, de acordo com os policiais, em qualquer obra. Com esse dinheiro, retirado em espécie na boca do caixa, segundo o procurador Leandro Metidieri, propinas eram pagas a agentes públicos. O MPF não revelou o nome dos que podem ter sido beneficiados.
FONTE : JORNAL DO COMERCIO DO JAU http://www.comerciodojahu.com.br/noticia/1350011/construtora-e-acusada-de-desvios-de-r$-370-milhoes
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