R$ 100 milhões sonegados pelas empresas Nova Grãos Ltda. e Folha Verde Comércio de Grãos Ltda. em Mato Grosso

Política

03/02/2016 13:48 

CPI suspeita que empresas sonegaram até R$ 100 milhões

DOUGLAS TRIELLI

DA REDAÇÃO

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia e Sonegação Fiscal, José Carlos do Pátio (SD), informou que duas das seis empresas do regime especial investigadas têm indícios de que são de fachada e teriam sonegado impostos.

Ele visitou, na tarde de terça-feira (2), em Várzea Grande, os locais onde deveriam estar instaladas as empresas Nova Grãos Ltda. e Folha Verde Comércio de Grãos Ltda.

No entanto, na primeira, os parlamentares encontraram uma casa com uma placa de “aluga ou vende-se” e que estaria sendo usada por algumas travestis. Já na segunda, os deputados encontraram outra empresa de grãos funcionando.

De acordo com Pátio, as duas empresas pertencem ao mesmo proprietário.

Quando eles vêm o problema, abandonam uma empresa e constituem outra para continuar sonegando imposto

“Quando eles veem o problema, abandonam uma empresa e constituem outra para continuar sonegando imposto. Quando a Secretaria de Fazenda começa a apertar, eles usam advogados pedindo liminar. Quando percebem que não há saída, eliminam a empresa, o caso vai para a Dívida Ativa e eles constituem outra empresa com ‘laranjas’ para continuarem o trabalho”, explicou.

“Das que vistoriamos, a primeira é uma casa que estava para alugar; a outra é um prédio fechado. Então, existem várias empresas de fachadas. Não vamos parar aí, vamos continuar investigamos e vamos propor para o governador a mudança da lei. Não podemos aceitar que o regime especial para comercialização de cereais seja mantido”, afirmou.

As investigações indicam que ambas as empresas sonegaram mais de R$ 100 milhões, conforme o deputado.

Segundo Pátio, as outras quatro empresas também deverão ser vistoriadas pela CPI. Elas também possuem indícios de irregularidades.

“Nós ouvimos da equipe técnica que todas as empresas de regime especial de comercialização de grãos investigadas até o momento pela CPI devem ser ‘laranjas’ e estão sobrevivendo graças a liminares da Justiça”, disse.

“Vou propor para nós acabarmos com o regime especial na comercialização de grãos. Esta é a prova de que foi uma farra. Não podemos admitir que isso continue a ocorrer”, afirmou.

Mais seis meses

Pelo volume de documentos e denúncias, Zé do Pátio afirmou que deverá pedir a prorrogação da CPI por mais seis meses.

Anteriormente, o presidente da Assembleia, Guilherme Maluf (PSDB), disse que a comissão deveria ser encerrada até março.

“Já convocamos a oitiva do empresário e presidente da JBS, a maior empresa de comercialização de carne do mundo. Ele estava na Holanda e estamos aguardando a sua presença. Estamos analisando novos processos, tanto no sentido de cooperativas quanto de regime especial”, disse.

“Então, não tem como terminar em março. Porque, realmente, estão aparecendo muitos dados, muitas denúncias. Vamos pedir a prorrogação da CPI por mais seis meses”, completou o deputado.

FONTE: http://www.plenariomatogrosso.com.br/conteudo/?id=323590

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