Arquivo para dezembro, 2015

Médico é preso em flagrante ao cobrar R$ 4,6 mil por cirurgia do SUS no Paraná

Posted in Sem categoria on dezembro 31, 2015 by gusbrum

 

 

Um médico ortopedista, ex-secretário municipal da Saúde de Toledo, na Região Oeste do Paraná, foi preso em flagrante por cobrar R$ 4,6 mil de uma paciente pela realização de uma cirurgia no Sistema Único de Saúde (SUS).

Um parente da paciente fez a denúncia na Promotoria de Justiça de Toledo e, de acordo com o Ministério Público (MP), a vítima foi orientada a entregar ao médico o dinheiro que havia sido solicitado.

Logo após da entrega do envelope, policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Cascavel, na mesma região, junto com os promotores de Justiça que acompanhavam o caso, entraram no consultório e apreenderam o dinheiro entregue pelo paciente, além de outros objetos relevantes para as investigações.

O médico cirurgião ortopedista Adilson Cleto Bier foi preso em flagrante por corrupção ativa.

Flagrante

No decorrer dos depoimentos de testemunhas e envolvidos, o Ministério Público foi informado de que o médico cobrava propina há mais tempo, não sendo um caso isolado. A vítima desta vez, uma mulher de 40 anos, que pediu para não ser identificada, fez uma cirurgia na perna. Quando o médico cobrou pelo procedimento, ela procurou a delegacia de Toledo para registrar a denúncia.

Por falta de flagrante, a polícia orientou que a vítima procurasse o Ministério Público. O promotor da cidade Tiago Trevisoli Justo pediu que ela entregasse o dinheiro ao médico para que fosse caracterizado o flagrante. As cédulas fotografadas e uma anotação do lado de fora do envelope serviram de prova.

Prisão

Segundo o superintendente da 20ª Subdivisão da Polícia Civil de Toledo Antônio da Costa Filho, o médico é bastante conhecido na cidade e nega ter cobrado da paciente. “Ele diz que achou que o dinheiro era uma gratificação, um ‘favor’ para agradar o médico”, desconfia.

O superintendente afirma que o Adilson Cleto Pinheiro é sócio da maior clínica da cidade, o Instituto de Ortopedia e Traumatologia Toledo (IOT). O policial conta que o médico está arrependido. “Ele está arrasado, está em uma sala separada dos outros presos, até porque não temos onde colocar ele, a delegacia está superlotada”, aponta.

A delegacia de Toledo abriga 240 presos em um espaço para 35 pessoas. “E o calor aqui na região, você sabe, o médico está bem mal”, ressalta. “Isso é muito comum, pacientes com planos de saúde também. Os médicos pedem o cartão do SUS junto com o do plano para cobrar dos dois. Só que isso tem que provar. A gente sabe que tem gente idosa que faz até empréstimo para pagar cirurgia do SUS. A diferença agora é que o pessoal do Gaeco arrumou bem o flagrante”, comenta.

De acordo com o policial, advogados do médico já disseram que pediram um habeas corpus. “Por ser réu primário, ele deve ser solto em breve”, acredita. A direção da clínica IOT de Toledo foi procurada e uma funcionária informou e empresa ainda não pode se pronunciar porque a direção não teve acesso aos detalhes do caso.

 

http://paranaportal.uol.com.br/blog/2015/12/18/medico-e-preso-em-flagrante-ao-cobrar-r-46-mil-por-cirurgia-do-sus-no-parana/

 

 

Posted in Sem categoria on dezembro 23, 2015 by gusbrum

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Posted in Sem categoria on dezembro 23, 2015 by gusbrum

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Por desvios de 14 milhões, Eduardo Azeredo (Ex-governador de MG) é condenado por mensalão do PSDB

Posted in Sem categoria on dezembro 22, 2015 by gusbrum
O ex-governador Eduardo Azeredo. José Cruz Ag.Br

O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) foi condenado nesta quarta-feira a 20 anos e dez meses de prisão em regime fechado por peculato e lavagem de dinheiro no caso conhecido como “mensalão tucano”, ocorrido há 17 anos. É o primeiro político condenado pelo esquema, apontado por muitos como exemplo de morosidade da Justiça para punir corruptos do PSDB.

Os crimes, supostamente ocorridos em 1998, foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República apenas em 2007. No ano passado, após a PGR pedir pena de 22 anos para o então deputado federal, ele renunciou ao mandato. Com isso, ele perdeu o foro privilegiado mas ganhou tempo, pois o julgamento do seu caso voltou para a Justiça Comum, em primeira instância. Entre o Supremo Tribunal Federal – que o julgaria se mantivesse o foro – enviar o processo de volta à Vara correspondente e a juíza Melissa Pinheiro Costa Lage emitir sua decisão nesta quarta, se passaram 21 meses.

À época da remessa dos autos do STF para a justiça comum, o então presidente da corte, Joaquim Barbosa, criticou a manobra do tucano: “O processo tramita aqui há nove anos (…). Só de abertura da ação penal vamos para mais de quatro anos. Não parece bom para o tribunal permitir essa valsa processual, esse vai e volta.”

Azeredo foi condenado por um esquema de desvio de 3,5 milhões de reais (14 milhões em valores atualizados) de companhias públicas para financiar a campanha de reeleição de Azeredo em 1998. No final, ele acabou derrotado pelo ex-presidente Itamar Franco. Na sentença, a magistrada afirma que “foi criado um caixa robusto para a campanha eleitoral, com arrecadação de fundos de diversas fontes, inclusive de recursos públicos da Copasa, da Cemig e do Bemge”, citando três estatais mineiras, de saneamento, de energia elétrica e o banco estatal, respectivamente.

Contratos publicitários de fachada eram firmados pelas empresas públicas para divulgar diversos eventos esportivos, mas a investigação apontou que o montante foi desviado para irrigar o caixa de campanha do tucano. “Ao invés de terem sido aplicados nos mencionados eventos esportivos, foram destinados à campanha do acusado”, diz a magistrada.

No microblog twitter, Azeredo escreveu o seguinte na manhã desta quinta-feira: “Existem pessoas que se deliciam com a desgraça alheia. Que Deus as perdoe”

O publicitário Marcos Valério, condenado no mensalão petista, foi apontado pela juíza como o responsável por lavar o dinheiro público desviado em suas empresas de propaganda. O esquema do PSDB foi apontado como o “pai” do “mensalão” do Partido dos Trabalhadores (PT), escândalo de corrupção que veio à tona no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e que resultou na condenação de 25 políticos, publicitários e ex-dirigentes de bancos. Entre os condenados no caso estão o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado federal José Genoino. Valério cumpre pena de mais de 37 anos de prisão desde novembro de 2013 por envolvimento no esquema petista.

A demora da Justiça em condenar os responsáveis pelo mensalão tucano não passou despercebida pela juíza. “Triste se pensar que, talvez toda essa situação, bem como todos os crimes de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, tanto do presente feito, quanto do ‘Mensalão do PT’, pudessem ter sido evitados se os fatos aqui tratados tivessem sido a fundo investigados quando da denúncia formalizada pela coligação adversária perante a Justiça Eleitoral”.

Azeredo, que atualmente é diretor da Federação de Indústrias de Minas (FIEMG), também terá que pagar multa equivalente a 1.904 salários mínimos. Como a decisão foi de primeira instância, ele poderá aguardar a tramitação de seus recursos em liberdade. Ele sempre negou ter participado do esquema, e vai recorrer. Seus advogados alegaram no processo que o deputado é isento de responsabilidade na condução financeira da sua campanha eleitoral, gerenciada por terceiros. Na sentença, a juíza questiona a suposta inocência do tucano: “Ora, acreditar que ele não sabia de nada e foi um simples fantoche seria o mesmo que afirmar que não possuímos líderes políticos, que os candidatos a cargos majoritários são manipulados por seus assessores e coordenadores políticos.”

Em 2014, as acusações contra Walfrido dos Mares Guia, ex-vice-governador de Minas e coordenador da campanha de Azeredo em 1998, prescreveram. Ele teria sido um dos operadores do esquema do mensalão do PSDB.

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/17/politica/1450356356_948714.html

Mais de R$ 1,162 trilhões em débitos tributários inscritos na Dívida Ativa da União.

Posted in Sem categoria on dezembro 22, 2015 by gusbrum

Pedro Rafael Vilela,

De Brasília (DF)

É muito comum a afirmação de que no Brasil a carga tributária é alta, mas pouco se fala sobre o tamanho do rombo nas contas públicas causado pela sonegação de impostos. Levantamento do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz) indica que o país soma mais de R$ 1,162 trilhão em débitos tributários inscritos na Dívida Ativa da União. É tudo aquilo que o Estado brasileiro tem que receber judicialmente de pessoas físicas e jurídicas que deixaram de recolher seus impostos.

A maior parte desses débitos (62% ou R$ 723,3 bilhões) são de cerca de 12 mil empresas. O segmento que lidera o ranking dos maiores débitos tributários do país é o industrial, seguido pelo comércio e atividades financeiras.

“Quem sonega imposto no Brasil não são pobres, trabalhadores e classe média. Esses pagam na fonte, o salário já vem descontado, ou então pagam imposto indireto quando adquirem um bem ou quando pagam um serviço. A sonegação é praticada basicamente por grandes empresas, que têm verdadeiros exércitos de advogados pra driblar a legislação e deixar e recolher tributos devidos”, explica João Sicsú, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os dados do levantamento do Sinprofaz revelam que débitos tributários representam mais de 580 vezes os valores desviados da Petrobras, segundo a Operação Lava Jato, oito mil vezes os valores apurados no mensalão e mais de 60 vezes as cifras citadas na Operação Zelotes.

Sonegômetro

Apesar dos valores astronômicos da sonegação, apenas cerca de 1% é recuperado aos cofres públicos. “Isso é muito pouco. Recuperamos por ano cerca de R$ 13 bilhões. Um investimento maior de cobrança dessa dívida poderia fazer o orçamento da União crescer muito”, sustenta João Sicsú, da UFRJ.

Foto: Marcello Casal Jr.

A campanha Quanto “Custa o Brasil pra Você?”, do Sinprofaz, mantêm o painel Sonegômetro, que registra, segundo a segundo, o montante sonegado no Brasil. Em outubro, esse valor já passou dos R$ 426 bilhões e vai chegar R$ 500 bilhões até o fim do ano, o que representa mais de 10% da economia do país.

Segundo o sindicato dos procuradores da Fazenda Nacional, “cerca de 80% [desse valor] passou por mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro”.

Em recente entrevista, o presidente do Sinprofaz, Achilles Frias, comparou os R$ 426 bilhões em impostos sonegados com a meta de ajuste fiscal de R$ 66 bilhões de reais perseguido pelo governo federal. “Se analisarmos os números trazidos pelo painel da sonegação verificamos como é injusta e desnecessária toda essa recessão imposta à população”, avaliou.

“O que gasta com saúde, educação, habitação, Bolsa Família e seguro-desemprego não chega a R$ 300 bilhões por ano. E o Brasil, só esse ano, além de pagar R$ 500 bilhões em juros da dívida pública para banqueiros e empresários, ainda vai deixar de cobrar outras centenas de bilhões em impostos sonegados. Nós precisamos repensar os gastos do governo, de arrecadação, mas também de cobrança”, argumenta o professor de economia João Siscú.

http://www.brasildefato.com.br/node/33330#.Vnk9na6EUDw.twitter

Justiça descobre conta do PSDB com mais de 64 milhões na Suíça

Posted in Sem categoria on dezembro 22, 2015 by gusbrum

Documentos vindos da Suíça revelam que conta conhecida como “Marília”, aberta no Multi Commercial Bank, em Genebra, movimentou milhões para subornar homens públicos e conseguir vantagens para as empresas Siemens e Alstom nos governos do PSDB paulista

Uma conta bancária na Suíça, conhecida como “Marília”, foi usada para movimentar as propinas que azeitaram os negócios da Siemens e da Alstom com governos do PSDB, em São Paulo.

Por ela, transitaram cerca de R$ 64 milhões em propinas e os recursos foram gerenciados por homens da cozinha dos governos de Mario Covas, em São Paulo, e até do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Este é o tema de uma reportagem bombástica da revista Istoé, que acaba de chegar às bancas.

Até agora, o procurador Rodrigo de Grandis reluta em denunciar tucanos indiciados pela Polícia Federal. Será que vai manter a conduta?

O Portal Metrópole revelou quem eram as autoridades e os servidores públicos que participaram do esquema de cartel do Metrô em São Paulo, distribuíram a propina e desviaram recursos para campanhas tucanas, como operavam e quais eram suas relações com os políticos do PSDB paulista.

Agora, com base numa pilha de documentos que o Ministério da Justiça recebeu das autoridades suíças com informações financeiras e quebras de sigilo bancário, já é possível saber detalhes do que os investigadores avaliam ser uma das principais contas usadas para abastecer o propinoduto tucano.

De acordo com a documentação obtida com exclusividade, a até agora desconhecida “conta Marília”, aberta no Multi Commercial Bank, hoje Leumi Private Bank AG, sob o número 18.626, movimentou apenas entre 1998 e 2002 mais de 20 milhões de euros, o equivalente a R$ 64 milhões. O dinheiro é originário de um complexo circuito financeiro que envolve offshores, gestores de investimento e lobistas.

Uma análise preliminar da movimentação da “conta Marília” indica que Alstom e Siemens partilharam do mesmo esquema de suborno para conseguir contratos bilionários com sucessivos governos tucanos em São Paulo. Segundo fontes do Ministério Público, entre os beneficiários do dinheiro da conta secreta está Robson Marinho, o conselheiro do Tribunal de Contas que foi homem da estrita confiança e coordenador de campanha do ex-governador tucano Mário Covas

. Da “Marília” também saíram recursos para contas das empresas de Arthur Teixeira e José Geraldo Villas Boas, lobistas que serviam de intermediários para a propina paga aos tucanos pelas multinacionais francesa e alemã.

Até 2003 conhecido como Multi Commercial Bank, depois Safdié e, a partir de 2012, Leumi Private Bank AG, a instituição bancária tem um histórico de parcerias com governos tucanos.

Em investigações anteriores, o MP já havia descoberto uma outra conta bancária nesse banco em nome de Villas Boas e de Jorge Fagali Neto, ex-secretário de Transportes Metropolitanos de SP (1994, gestão de Luiz Antônio Fleury Filho) e ex-diretor dos Correios (1997) e de projetos de ensino superior do Ministério da Educação (2000 a 2003) na gestão Fernando Henrique Cardoso. Apesar de estar fora da administração paulista numa das épocas do pagamento de propina, Fagali manteria, segundo a Polícia Federal, ascendência e contatos no governo paulista.

Por isso, foi indiciado pela PF sob acusação de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Fagali Neto também é irmão de José Jorge Fagali, que presidiu o Metrô na gestão de José Serra. José Jorge é acusado pelo MP e pelo Tribunal de Contas Estadual de fraudar licitações e assinar contratos superfaturados à frente do Metrô.

Para os investigadores, a “conta Marília” funcionaria como uma espécie de “conta master”, usada para gerenciar recursos de outras que, por sua vez, abasteceram empresas e fundações de fachada, como Hexagon Technical Company, Woler Consultants, Andros Management, Janus, Taltos, Splendore Associados, além da já conhecida MCA Uruguay e das fundações Lenobrig, Nilton e Andros.

O MP chegou a pedir, sem sucesso, às autoridades suíças e francesas o arresto de bens e o bloqueio das contas das pessoas físicas e jurídicas citadas. Os pedidos de bloqueio foram reiterados pelo DRCI, mas não foram atendidos. Os investigados recorreram ao STJ para evitar ações similares no Brasil.

O MP já havia revelado a existência das contas Orange (Laranja) Internacional, operada pelo MTB Bank de Nova York, e Kisser (Beijoqueiro) Investment, no banco Audi de Luxemburgo. Ou seja, “Marília” é mais um nome próprio no dicionário da corrupção tucana. Sabe-se ainda que o cartel operado pelas empresas Siemens e Alstom, em companhia de empreiteiras e consultorias, usava e-mails cifrados.

Os novos dados obtidos pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça dão combustível para o aprofundamento das investigações no Brasil.

Além do processo administrativo aberto pelo Cade sobre denúncia de formação de cartel nas licitações de São Paulo e do Distrito Federal, outras duas ações sigilosas, uma na 6ª Vara Federal Criminal e outra na 13ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, apuram crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa.

Além de altos funcionários do Metrô, como os já citados Lavorente e Fagali, as investigações apuram a participação do ex-secretário de Energia e vereador Andrea Matarazzo, em razão de contratos celebrados entre a Companhia de Energia de São Paulo (CESPE) e a Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica S.A. (EPTE).

Na documentação encaminhada pelo DRCI ao MP de São Paulo, a pedido do promotor Silvio Marques, também constam novos dados bancários de vários executivos franceses, alemães e brasileiros que tiveram algum tipo de participação no esquema de propinas.

São eles os franceses Michel Louis Mignot, Yves Barbier de La Serre, André Raymond Louis Botto, Patrick Ernest Morancy, Jean Pierre Antoine Courtadon e Jean Marcel Jackie Lannelongue e os brasileiros José Amaro Pinto Ramos, Sabino Indelicato e Luci Lopes Indelicato, além do alemão Oskar Holenwger, que operou em toda a América Latina. Na Venezuela, Holenwger é citado junto a Mignot, La Serre, Morancy e Botto em investigação sobre lavagem de dinheiro, apropriação indébita qualificada, falsificação de documentos e suposta corrupção de funcionários públicos do setor de energia.

O apoio das autoridades de França e Suíça às investigações brasileiras não tem sido tão fácil, e a cooperação é mais recente do que se pensava.

O Ministério da Justiça chegou a pedir o compartilhamento de informações ainda em 2008 – auge da investigação da Siemens e da Alstom. Mas não foi atendido. Os franceses lembraram que, nos termos do acordo bilateral, a cooperação só pode se desenrolar por via judicial. Dessa forma, foi necessário notificar o Ministério Público Federal para que oficiasse junto à 6ª Vara Criminal Federal e à 13ª Vara da Fazenda Pública. O compartilhamento só foi efetivado em dezembro de 2010.

A Suíça, ainda em março de 2010, solicitou a cooperação brasileira na apuração das denúncias lá, uma vez que parte do dinheiro envolvido nas transações criminosas teria sido depositada em bancos suíços. Os primeiros dados, relativos à empresa MCA e ao Banco Audi de Luxemburgo, chegaram ao Brasil em julho de 2011. Foram solicitadas ainda oitivas com determinadas testemunhas, o que foi encaminhado ao MPF em São Paulo e à Procuradoria Geral da República (PGR).

Paralelamente, a Polícia Federal abriu o inquérito nº 0006881-06.2010.403.6181, mas só no último dia 25 de julho o procurador suíço enviou às autoridades os dados bancários solicitados, por meio de uma decisão denominada “conclusive decrees”, proferida em 14 e 24 de junho. Foi com base nisso que a Suíça já bloqueou cerca de 7,5 milhões de euros que estavam na conta conjunta de Fagali e Villas Boas, no Safdié.

Tratou-se de uma decisão unilateral suíça e a cifra não é oficial – foi fornecida ao Ministério da Justiça por fonte informal. A Suíça só permite o uso dos dados enviados em procedimentos criminais.

 

http://racionalista.com.br/politica/corrupcao-justica-encontra-conta-do-psdb-de-64-milhoes-na-suica-fhc-e-covas-estao-envolvidos/

R$ 110 milhões em propina arrecadadas no mensalão do DEM

Posted in Sem categoria on dezembro 22, 2015 by gusbrum

Ouvido no Tribunal de Justiça do Distrito Federal nesta quarta-feira (16), o delator do escândalo da Caixa de Pandora, Durval Barbosa, afirmou ter arrecadado R$ 110 milhões em propina entre 2007 e 2009. Segundo ele, 40% do dinheiro ficava para o ex-governador José Roberto Arruda e 30% com o vice, Paulo Octávio. Barbosa e mais dois investigados – Omezio Pontes e Geraldo Maciel – ficavam com 10% cada. Pontes disse não ter sido citado formalmente no processo e Maciel não foi encontrado pela TV Globo. Arruda e Paulo Octavio negam a acusação.

O escândalo veio à tona em 2009, por meio de uma operação da Polícia Federal. O Ministério Público denunciou os envolvidos pelo crime de formação de quadrilha. Em seguida, os advogados apresentaram uma série de recursos para adiar e desmontar o processo. A estimativa é que tenham sido liberados irregularmente R$ 64 milhões para pagar a empresa Link Net.

O depoimento de Barbosa durou três horas. O ex-governador depôs em seguida. Ele negou ter recebido dinheiro e afirmou que as gravações feitas pelo delator do esquema eram falsas. O advogado dele o defendeu .“Arruda desde o início está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos”, disse Pedro Ivo Veloso. “[Ele está à disposição para] mostrar que tudo isso não passou de uma farsa promovida por esse delator.”

Após a audiência, a defesa de Barbosa negou a possibilidade de que ele tenha forjado vídeos que mostram Arruda repartindo maços de dinheiro. “Não tem como brigar com perícia feita pela Polícia Federal”, declarou a advogada Margareth Almeida.

O empresário Paulo Octavio alegou ser inocente e disse que nunca apareceu nas gravações de Durval Barbosa. “Estamos muito tranquilos de que a inicial veio sem provas e que o Ministério Público optou por não produzir provas contra ele aqui no processo judicial. A gente está muito tranquilo sobre uma grande possibilidade de absolvição”, afirmou a advogadaGabriela Bemfica.

Para o Ministério Público, não restam dúvidas de que os envolvidos recebiam vantagem do contrato com a empresa de tecnologia. “Os réus se utilizavam de um mecanismo chamado reconhecimento de dívida até mediante recebimento de propina”, disse o promotor Clayton Germano.

O ex-secretário do Distrito Federal Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM (Foto: Marcello Casal Jr./agência Brasil)O ex-secretário do Distrito Federal Durval Barbosa,
delator do mensalão do DEM
(Foto: Marcello Casal Jr./agência Brasil)

Mensalão do DEM
O esquema do mensalão do DEM de Brasíliafoi descoberto depois que a Polícia Federal deflagrou, em novembro de 2009, a operação Caixa de Pandora, para investigar o envolvimento de deputados distritais, integrantes do governo do Distrito Federal, além do então governador José Roberto Arruda e de seu vice, Paulo Octávio (sem partido, ex-DEM). Octavio e Arruda sempre negaram envolvimento com o suposto esquema de propina.

Arruda chegou a ser preso, deixou o DEM para não ser expulso e foi cassado pela Justiça Eleitoral. Paulo Octavio renunciou ao cargo para defender-se das acusações. Durante meses, o DF esteve ameaçado de intervenção federal, devido ao suposto envolvimento de deputados distritais, integrantes do Ministério Público e do Executivo com o esquema denunciado por Durval Barbosa.

Em junho de 2014, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, denunciou ao STJ 37 pessoas suspeitas de envolvimento no mensalão do DEM – Arruda foi apontado pelo MPF como chefe da suposta organização criminosa.

Também fazem parte do rol de denunciados Paulo Octavio, o ex-secretário de Relações Institucionais e delator do esquema, Durval Barbosa, ex-secretários de Estado, deputados distritais e o conselheiro licenciado do Tribunal de Contas do DF Domingos Lamoglia.

Com 180 páginas, a denúncia relata com como operavam os integrantes da suposta organização criminosa. Segundo Gurgel, os operadores do esquema teriam “inovado” ao introduzir na administração pública o “reconhecimento de dívida”.

De acordo com a PGR, um decreto publicado por Arruda teria permitido a realização de pagamentos pelo governo do DF mesmo sem que fosse comprovada a prestação de serviços. O método teria assegurado contratações com dispensa de licitação, principalmente de empresas do setor de informática.

“Era um negócio fantástico. Por exemplo, você conhece uma pessoa que é dona de uma empresa, aí afirma no despacho que essa empresa vem prestando serviços de limpeza para o governo. Não é necessário que ela tenha prestado esse serviço, desde que várias pessoas afirmem que ela vem prestando. Com isso, foi possível pagar valores extremamente generosos, obtendo futuramente a contrapartida”, relatou Gurgel.

A denúncia da PGR também detalha a partilha do dinheiro desviado dos cofres públicos. Conforme o procurador-geral, Arruda recebia 40% da propina, Paulo Octávio, 30%, e os secretários de estado, 10%. A fatia, porém, variava de acordo com cada contrato, descreveu Gurgel.

Junto com a denúncia, o procurador-geral enviou para o STJ 70 caixas com documentos que demonstrariam como a quadrilha liderada por Arruda atuava.

 

http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/12/propina-arrecadada-em-mensalao-do-dem-soma-r-110-milhoes-diz-durval.html