Color, o presidente que desviou mais de 350 milhões de reais…

Em maio de 1992, o Brasil descobriu a existência de um esquema de corrupção abrigado no coração da presidência de Fernando Collor de Mello. O economista Paulo César Farias, o PC, ex-tesoureiro da campanha de Collor ao Planalto, recebia propina de empresários interessados em negociar com o governo, ficava com 30% do dinheiro arrecadado e repassava o restante ao presidente. Firmas fantasmas foram criadas para emitir notas fiscais frias. Estima-se que o esquema tenha movimentado, por baixo, 350 milhões de dólares. O caso foi trazido à luz por reportagem de capa de VEJA, na qual Pedro Collor de Mello apresentava, numa entrevista exclusiva, denúncias contra o irmão governante. Em menos cinco meses, ruíram todos os pilares que sustentavam Collor no poder.

Em 29 de setembro, a Câmara aprovou o afastamento do presidente e a abertura do processo de impeachment contra ele, numa sessão histórica, acompanhada ao vivo por todo o país. Collor renunciou antes de ser julgado. Mesmo assim, perdeu os direitos políticos por oito anos. Hoje o ex-presidente está de volta à política, mas o caso ainda tramita na Justiça. Ao todo, o esquema orquestrado por PC produziu 27 réus na Justiça – apenas nove foram condenados e só quatro sem chaces de recurso, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo de setembro de 2011.

Collor e o STF: O julgamento do ex-presidente pelos ministros da corte, em 1994, foi um dos mais longos e controversos da história do Supremo. Após quatro dias de análise, os ministros decidiram absolver Collor por maioria de votos da acusação de envolvimento no esquema montado por PC Farias. Ele respondia pelo crime de corrupção passiva e se livrou da acusação por falta de provas. Os ministros julgaram improcedente a denúncia do então procurador-geral da República, Aristides Junqueira, já que, entre as evidências apresentadas, não havia uma que comprovasse o envolvimento direto do ex-presidente com o esquema – e, de fato, o comprometesse. Junqueira apresentou à corte uma gravação em que PC afirmava ter cobrado de uma montadora uma doação para o ex-deputado Sebastião Curió, em 1990, além de disquetes apreendidos em computadores de uma empresa do ex-tesoureiro de Collor, nos quais constavam arquivos que registravam o dinheiro movimentado pelo esquema e cheques emitidos por comparsas de PC, que eram depositados na conta da secretária Ana Acioli. Segundo afirmaram juristas brasileiros na ocasião, a absolvição foi fruto de uma acusação ineficiente feita por Junqueira.

http://veja.abril.com.br/infograficos/rede-escandalos/rede-escandalos.shtml?governo=collor—itamar&scrollto=55

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