Arquivo para fevereiro, 2015

Ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso esta preso por desviar mais de R$ 60 milhões

Posted in Sem categoria on fevereiro 23, 2015 by gusbrum

Cuiabá – Ex-presidente da Assembleia Legislativa, o ex-deputado José Riva, preso no sábado sob acusação de ter desviado mais de R$ 60 milhões com supostas compras em papelarias, deve ser transferido nesta segunda-feira, 23, à tarde, para a Delegacia de Polícia Interestadual (Polinter). Ele responde a mais de 100 ações na Justiça por corrupção e improbidade.  O ex-parlamentar foi levado para o Centro de Custódia após ser preso pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e de Investigações Criminais (Gaeco), braço do Ministério Público.

Além de Riva, também foram denunciados sua mulher e ex-candidata ao governo nas últimas eleições, Janete Riva, servidores públicos e empresários.

De acordo com o Ministério Público, o esquema, ocorrido entre 2005 a 2009, envolvia fornecedores de papel e material de máquinas impressoras. Segundo os investigadores, em apenas um ano empresas de fachada venderam mais de 30 mil toners à Assembleia Legislativa de Mato Grosso que, na época, contava com apenas 150 impressoras. A quadrilha teria fraudado processos de compra para aquisição simulada de material de expediente, de consumo e artigos de informática.

Por meio de quebras de sigilo bancário e interceptações telefônicas autorizadas pelo Poder Judiciário, os investigadores descobriram que aproximadamente 80% do dinheiro desviado foram sacados no caixa e repassados ao ex-deputado, que era o primeiro secretário do Legislativo estadual. Na ocasião, o cargo de secretária de Patrimônio era ocupada por Janete Riva.

“O dinheiro desviado por intermédio do estratagema apresentado transitava nas contas bancárias das pessoas jurídicas ‘fornecedoras’ do material apenas para ocultar o seu retorno para as mãos de José Geraldo Riva. Tanto é que 80% do montante depositado pelo Poder Público nas contas das empresas sob escusa de pagamento por produtos e serviços supostamente executados/entregados, foi sacado na boca do caixa”, diz um trecho da denúncia.

Conforme a denúncia, José Geraldo Riva responderá pelos crimes de formação de quadrilha e por 26 peculatos, quando funcionário público se aproveita do cargo para desviar recursos.

Essa foi a segunda prisão de Riva. Em maio do ano passado, ele foi preso pela Polícia Federal durante a quinta fase da operação Ararath, por suposto envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro. Ele passou três dias no Complexo da Papuda, em Brasília, e depois foi solto por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Em fevereiro, ele deixou a Assembleia Legislativa.

O ex-parlamentar teve 20 anos de mandatos consecutivos. Em 2014, tentou se candidatar ao governo do Estado, mas foi impedido pela Lei da Ficha Limpa por ter condenação em colegiado. Lançou então sua esposa ao cargo, que ficou em terceiro lugar.

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ex-presidente-da-assembleia-do-mt-sera-transferido-de-prisao,1638359

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R$ 4,47 bilhões por desvios de recursos da Petrobrás, é o que buscam os procuradores de justiça.

Posted in Sem categoria on fevereiro 21, 2015 by gusbrum

Por Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso

O Ministério Público Federal pediu na Justiça que seis empreiteiras acusadas de cartel na Petrobrás sejam condenadas a pagar R$ 4,47 bilhões pelos atos de improbidade administrativa que teriam praticado. O pedido faz parte do primeiro pacote de ações cíveis ajuizadas nesta sexta-feira, 20, em decorrência dos processos criminais já abertos contra executivos dessas construtoras: Camargo Corrêa, Sanko, Mendes Júnior, OAS, Galvão Engenharia e Engevix.

Os procuradores da República classificam as empreiteiras em grupos econômicos, que abarcam um universo de treze pessoas jurídicas. Para cada grupo econômico, a Força-Tarefa pede condenação ao pagamento de valores relativos a danos causados à estatal, acrescidos de multa a título de indenização.

As cinco ações são a primeira medida efetiva de pedido de punição para as empreiteiras – não aos seus executivos. Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato pediram a proibição de contratação com o Poder Público para as seis empreiteiras do cartel. Elas podem também ficar impedidas de receberem benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. A acusação de enriquecimento ilícito pelos fatos apurados na Operação Lava Jato abrange as empresas e seus executivos.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa também foi acusado pelos atos de improbidade, mas isento do pagamento dos valores. “O ex-diretor não está incluído nos pedidos de condenação em razão do acordo de colaboração firmado”, informou o MPF. ”(Costa) se comprometeu a devolver recursos mantidos no exterior e no País, comprometeu-se a arcar com a indenização cível, bem como a relatar todos os ilícitos de que tinha conhecimento relacionado aos fatos investigados”, afirma a Procuradoria.

Para o coordenador da força-tarefa Lava Jato, procurador da República Deltan Dallagnol, “as ações propostas materializam a convicção do MPF de que todos, numa República, devem ser punidos igualmente, na proporção da gravidade de seus atos e culpas”. ”A corrupção pode ser vista como uma decisão embasada em custos e benefícios. Empresas corrompem porque os benefícios são maiores do que os custos. Devemos inverter essa fórmula.” Dallagnol defendeu que “uma punição exemplar é essencial para que passe a ser vantajoso manter distância de práticas corruptas”.

Ao justificar a necessidade de reparação dos danos coletivos causados pelo esquema, o MPF afirma que a “corrupção na Petrobras, apurada na Operação Lava Jato, traz um diagnóstico infeliz da maior estatal do país”. ”Abalada por um câncer devastador e profundo, que, apoderado de uma metástase, espalhou-se e gerou sangria inestancável aos cofres da companhia. A hemorragia ocorreu em benefício de interesses escusos”, informa o MPF em suas primeiras ações de improbidade.

Fonte: MPF

Valores. São cinco ações de improbidade administrativa que cobram R$ 319 milhões de ressarcimento pelos desvios de recursos públicos da Petrobrás, por meio de contratos fraudados e pagamento de propina para agentes públicos.
Pedem ainda a condenação ao pagamento de R$ 959 milhões de multa civil e R$ 3,19 bilhões como indenização por danos morais coletivos.

As ações de improbidade são o desdobramento na área cível dos crimes denunciados em dezembro, em que empresas do cartel pagavam propina para dirigentes da Petrobrás. Por meio de indicações políticas feitas pelo PT, PMDB e PP, esses agentes cobravam de 1% a 3% do valor “de contratos bilionários, em licitações fraudulentas”.

Segundo o MPF, os recursos eram distribuídos por meio de operadores financeiros do esquema, de 2004 a 2012, com pagamentos estendendo-se até 2014. No âmbito criminal, os réus já foram denunciados por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional.

POL-improbidade

Denúncias. Segundo a Procuradoria, foi comprovada a formação de um cartel do qual participaram as empresas Engevix Engenharia, OAS, Odebrecht, UTC, Camargo Correa, Techint, Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Promon, MPE, Skanska, Queiroz Galvão, Iesa, Galvão, GDK e Setal.

“O monopólio possibilitou que fosse fraudada a competitividade dos procedimentos licitatórios referentes às maiores obras contratadas pela Petrobrás entre os anos de 2004 e 2014, majorando os lucros das empresas em centenas de milhões de reais”, informou o MPF.

O MPF apontou Costa e o ex-diretor de Serviços Renato Duque como responsáveis pelo “perfeito funcionamento deste cartel”. “Foram recrutados para a concretização dos ilícitos e lavagem dos ativos, o doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato, e outros grandes operadores e doleiros em atividade no mercado negro brasileiro e internacional”.

COM A PALAVRA, O GRUPO SANKO-SIDER.

Nota Oficial Grupo Sanko-Sider

Sobre o noticiário que informa sobre o ajuizamento, pelo MPF, no dia de hoje (20/02) de ações de improbidade administrativa, na qual aparecemos listados ao lado de construtoras, informamos que:

1. A empresa não recebeu até o momento qualquer citação, sendo informada apenas pelo noticiário de imprensa. Não pode, portanto, avaliar o conteúdo da ação, já que desconhece o seu inteiro teor;

2. No entanto, reafirma mais uma vez alguns pontos importantes para sua defesa e elucidamento de dúvidas que ainda parecem não ter sido ser percebidas e entendidas completamente:

– A Sanko-Sider não é empreiteira; Vende insumos, tubos, conexões e flanges; atende apenas empresas privadas e não fez vendas diretas à Petrobras.

– Fundamental recordar, ainda, que em todos os depoimentos prestados pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, seja no âmbito da delação premiada, junto ao Ministério Público, à Justiça Federal, Polícia Federal, CPMI, este afirmou e reafirmou inúmeras vezes não ter recebido qualquer centavo ilícito da Sanko-Sider.

COM A PALAVRA, A ENGEVIX.

“Assim que notificada, a empresa, por meio de seus advogados, tomará as devidas providências.”

COM A PALAVRA, A CAMARGO CORRÊA.

“A companhia não foi citada na referida ação e desconhece seu teor. Assim que houver possibilidade de defesa, a companhia apresentará sua contestação às acusações.”

COM A PALAVRA, A OAS.

“A OAS refuta veementemente tais alegações e, quando for notificada da ação, irá defender-se nos termos da lei.”

COM A PALAVRA, A GALVÃO ENGENHARIA.

Os pagamentos feitos resultaram de extorsão e concussão, mediante ameaça de retaliações nos contratos em vigor. Não há correlação de datas nem de valores extorquidos com a assinatura de contratos. Sobre ações de improbidade, não houve notificação e a empresa não irá se pronunciar.

R$ 640 milhões em propina é o que recebeu a Diretoria que era cota do PT na Petrobrás arrecadou

Posted in Sem categoria on fevereiro 21, 2015 by gusbrum

Por Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Julia Affonso

O valor pago em propina para a Diretoria de Serviços da Petrobrás – cota do PT no esquema de corrupção desbaratado pela Operação Lava Jato – em contratos que eram da área de Abastecimento alcançou R$ 640 milhões. É o que aponta o primeiro pacote de cinco ações cíveis por improbidade administrativa ajuizado contra seis empreiteiras do cartel e 28 executivos. A área de Serviços é estratégica dentro da estatal. Por ela, passam todas as licitações feitas na companhia.

As ações foram apresentadas nesta sexta-feira, 20, à Justiça pelo Ministério Público Federal. A Procuradoria da República cobra das empreiteiras R$ 4,47 bilhões por prejuízos causados à estatal petrolífera.

Ao todo, as ações revelam que houve pagamento de propina de R$ 960 milhões para agentes públicos da Petrobrás em 33 contratos assinados pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, na Diretoria de Abastecimento. Como o primeiro pacote de ações cíveis engloba apenas a cobrança pelos desvios gerados a partir de contratos assinados pela Diretoria de Abastecimento – cota do PP no esquema -, as ações do Ministério Público Federal consideraram a propina que dizia respeito ao 1% que o partido tinha direito no esquema. Outros 2% eram arrecadados pela Diretoria de Serviços, cota do PT.

“Se fossem considerados os 2% de propina vinculados à Diretoria de Serviços, os quais serão objeto de ação própria, o valor total da propina chegaria a aproximadamente R$ 212 milhões”, informa, por exemplo, a ação de improbidade movida contra a OAS e seis executivos do grupo.

http://e.infogr.am/propina_de_empreiteiras_para_diretorias_da_petrobras

Para chegar ao montante de R$ 640 milhões, o Estadão somou os valores apontados como total de propina pago nos 33 contratos citados nas primeiras ações e subtraiu de cada um o montante do PP arrecadado na Diretoria de Abastecimento.

A Diretoria de Serviços arrecadava até 2% de propina nos contratos da demais diretorias por ser a responsável pelas licitações e fiscalizações contratuais, explicaram os delatores. O ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco confessou em sua delação premiada que arrecadava valores em nome do então diretor da área Renato Duque. Esse valor era dividido entre ele, o diretor e o PT – representando pelo tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

O ex-diretor de Serviços é alvo da Lava Jato, mas ainda não foi denunciado formalmente à Justiça, nem acionado na área cível. Tanto o PT como o tesoureiro do partido negam propina e o esquema de arrecadação político na estatal. Duque, que já foi preso preventivamente e está solto por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), nega irregularidades.

Renato Duque, desde que seu nome foi citado na Lava Jato, tem reiteradamente rechaçado suspeitas de que recebeu propinas.  O ex-diretor chegou a ser preso, mas acabou sendo solto por ordem do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal.

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/diretoria-que-era-cota-do-pt-na-petrobras-arrecadou-r-640-mi-em-propina-diz-lava-jato/

US$ 100 milhões de Dolares da CAPEMI desapareceram durante a ditadura militar.

Posted in Sem categoria on fevereiro 14, 2015 by gusbrum

TUCURUI E A CAPEMI

Para atender a demanda crescente por energia que as mineradoras precisavam, o imperialismo que já havia inventariado os rios brasileiros, propôs a ditadura construir megaempresas como Tucuruí Itaipu.

A hidrelétrica da Tucuruí, no rio Tocantins, em 1975, foi construída supostamente para  “preparar a infraestrutura energética necessária para subsidiar o polo mineral e metalúrgico, que seria instalado no oeste do Pará (Albrás/Alunorte/Vale) e Maranhão (Alumar/Alcoa).” Gerou conflitos sociais pela construção das barragens e pela questão agrária (cerca de 3 mil pessoas que haviam sido removidas para áreas em volta do futuro lago, foram expulsas do novo local por uma superpopulação de insetos vorazes, como mutucas e pernilongos, em especial o mosquito do gênero Mansonia), fruto disso já nesta época o Pará se tornou um dos estados com o maior índice de ameaças de morte e de assassinatos, situação que perdura até hoje. Hoje segundo o INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) quase dois terços da energia gerada por Tucuruí servem para abastecer indústrias extrativistas, e estranhamente não fornece energia para muitos ribeirinhos do imenso lago.

Sua construção foi envolvida em corrupção e prevaricação que envolveu o governo militar, militares da área de inteligência e a Agropecuária Capemi Indústria e Comércio Ltda. Empresa vinculada à Carteira de Pensões dos Militares (Capemi), fundado e dirigido por militares, responsável pela previdência privada.

Ela foi contratada, em 1980, para extrair e comercializar a madeira da região do futuro lago de Tucuruí. Recebeu aval para a empreitada, sem nenhum know-how e sem garantias. Fez um empréstimo de US$ 100 milhões junto à Maison Lazard Fréres, para aquisição de equipamentos. Faliu, em 1983, após ter conseguido desmatar apenas 10% da área que havia sido contratada. Denunciado que a metade dos 349 mil m³ de madeira extraída havia desaparecido. Desviados pelo diretor-presidente da Agropecuária, Fernando José Pessoa e o representante do governo federal, Roberto Amaral, US$ 10 milhões.

Amaral era homem de confiança do ministro da Agricultura, Amaury Stábile que como o ministro-chefe do Sistema Nacional de Informações (SNI), general Otávio Medeiros estava diretamente metido na maracutaia.

Conclusão o contrato não foi cumprido, a Capemi faliu, e o dinheiro dos pensionistas perdido.

YELLOW CAKE

Em 2 de fevereiro de 1983, o Jornal do Brasil publicou o dossiê “Yellow Cake”, do jornalista Alexandre von Baumgarten, escrito em janeiro de 1981. O corpo de Baumgarten foi encontrado na praia da Macumba, no Recreio dos Bandeirantes, em outubro de 1982, treze dias depois de ter saído para uma pescaria com sua mulher Jeanette e o barqueiro Manoel Valente.

O dossiê revelou o envolvimento de membros do Serviço Nacional de Informações (SNI) do governo militar numa vasta rede de intrigas.

Baumgarten, havia dirigido a revista O Cruzeiro, um projeto do regime militar em parceria com o jornalista para “melhorar” a imagem do governo junto a população. O Cruzeiro se meteu “em íntima colaboração com a sociedade de extrema direita Tradição, Família e Propriedade (TFP), apoiado pelos setores radicais da comunidade de informações.” Prestou serviços relevantes aos extremistas, e “seus artigos provocadores foram reproduzidos pelo Ciex, como parte da campanha de descrédito do general Euler Bentes”.

Ele, como vários da ditadura, meteu-se em diversas desordens contábeis. Havia fechado um contrato de publicidade com a, conhecida, Capemi no valor de Cr$ 12 milhões em fins de 1980. Então o general Ademar Messias de Aragão, presidente da Capemi, comprou a editora de Baugardem em estado falimentar. Foi sucedido no controle dela por Antonio Mourão Abissâmara, parente do chefe do SNI, general Newton Cruz.

No meio da negociação Baumgarten “tomou conhecimento do Projeto Tucuruí”. E aparentemente considerou que os Cr$ 2 milhões pagos por Abissâmara, com dinheiro oriundo da Capemi, com o passivo de Cr$ 112 milhões, no início de 1981, era pouco para comprar também a sua discrição. Pode ter optado pelo caminho da chantagem, mas decididamente não viu a cor do dinheiro.

Baumgarten escreveu no primeiro parágrafo do dossiê: “Nesta data (28 de janeiro de 1981) é certo que minha extinção física já foi decidida pelo Serviço Nacional de Informações. A minha única dúvida é se essa decisão foi tomada pelo ministro chefe do SNI, general Octávio de Aguiar Medeiros, ou se ficou a cargo do chefe da Agência Central do SNI, general Newton de Araújo Oliveira e Cruz.”

http://www.revistaforum.com.br/mariafro/2014/11/24/ditadura-militar-e-corrupcao-os-crimes-que-precisam-ser-investigados/

R$ 316 milhões em propinas pagas ao Partido Progressista

Posted in Sem categoria on fevereiro 14, 2015 by gusbrum

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Julia Affonso

O doleiro Alberto Youssef – peça-chave das investigações na Petrobrás – entregou em sua delação premiada planilha com registro de contratos que totalizam R$ 31,6 bilhões, assinados por empreiteiras do cartel a partir de 2004 para 11 obras da estatal. Segundo ele, do valor global desses contratos foram pagas propinas de 1% ao PP, um dos partidos mais contemplados pelo esquema de desvios na petrolífera. A planilha indica, em valores não corrigidos, pagamentos de R$ 316 milhões.

Investigadores da Operação Lava Jato acreditam que essa seria a cota do PP no esquema de corrupção desbaratado pela operação da Polícia Federal a partir de março de 2014. A planilha, registrada em duas folhas anexadas ao termo de delação do doleiro, indica 15 pagamentos da Petrobrás a empreiteiras do cartel.

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Youssef citou 15 empreiteiras como pagadoras de “comissões”. “Os pagamentos de comissões feitos pelas mesmas o foram tanto em espécie, como por intermédio de contratos feitos junto a GFD, junto às empresas de Leonardo Meirelles, dentre elas a KFC Hidrossemeadura”, relatou. “Foram feitos pagamentos no exterior junto às contas de Leonardo Meirelles, em especial pela Odebrecht. Pode citar as contas das empresas RFY e DGX junto aos bancos Standardt Cartered e HSBC, em Hong Kong”, detalhou.

Além da Odebrecht, a planilha cita as empreiteiras OAS, Queiroz Galvão, Tomé Engenharia, Toyo Setal, Engevix, Galvão Engenharia, Serveng, Fidens, Construcap, MPE, Andrade Gutierrez, UTC, Mendes Júnior e Camargo Corrêa.

A GFD e as outras três empresas ligadas à Meirelles – também réu da Lava Jato – integravam a rede de lavagem de dinheiro criada por Youssef para operar os desvios na Petrobrás, por meio de notas frias, e regularizar esse dinheiro não declarado por meio de operações financeiras fictícias ou por intermédio do câmbio negro.

LEIA O TERMO DE DELAÇÃO DO DOLEIRO ALBERTO YOUSSEF COM A PLANILHA DOS CONTRATOS ALVOS DE PROPINA

Obras. A planilha transcende o esquema de cartel nas obras da Refinaria Abreu e Lima (PE) e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) – alvos iniciais da Lava Jato.

A obra que envolve o maior valor de propina da planilha – R$ 90 milhões – é da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP). Segundo indica a planilha de Youssef, o valor da obra “era previsto” para R$ 3,5 bilhões e depois subiu para R$ 6,7 bilhões. “Mas foram R$ 9 bilhões ao todo.” Disso, 1% era do PP.

VEJA TRECHO DA PLANILHA ENTREGUE POR YOUSSEF

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Segundo a Lava Jato, o PT arrecadava até 2% nesses contratos, por meio do ex-diretor de Serviços Renato Duque e do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Eles negam.

A contratação na Revap – 3.ª maior refinaria do País -, entre 2005 e 2012, foi para obras de ampliação e modernização. Youssef atribuiu o pagamento de “comissões” ao Consórcio BCV – formado pelas empreiteiras MPE, Camargo Corrêa e Promon – e à OAS. Todas são investigadas por formação de cartel.

Outra obra da lista é a construção da Refinaria Premium I, em Bacabeira (MA), anunciada em 2010 e ainda inconclusa.

VEJA OUTRO TRECHO DA PLANILHA ENTREGUE POR YOUSSEF

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O doleiro registrou em sua delação que a planilha não representa a totalidade dos valores movimentados por ele em propina. O documento será aditado com novas informações.

A planilha cita ainda contratos das refinarias Landulpho Alves, na Bahia, Capuava, em Mauá (SP), Duque de Caxias, no Rio, Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul, Gabriel Passos, em Minas, Isaac Sabbá, em Manaus, Presidente Getúlio Vargas, no Paraná, Presidente Bernardes, em Cubatão (SP), e Paulínia (SP).

PP

O Partido Progressista informou em nota que está à disposição da Operação Lava Jato para “colaborar”. “(O partido) somente poderá se posicionar após tomar conhecimento oficial sobre os depoimentos que envolvem a legenda. Entretanto, está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.”

CONSTRUTORAS
As construtoras envolvidas negaram, por meio de notas, qualquer envolvimento com os crimes de lavagem de dinheiro e desvios em contratos. A Odebrecht, a Camargo Corrêa, a Andrade Gutierrez e a UTC rechaçaram as acusações e negam propina no caso “A Odebrecht nega as alegações caluniosas”.

A Camargo Corrêa informou que “repudia as acusações sem comprovação e reitera que segue à disposição das autoridades e tem prestado as informações solicitadas”.

A Andrade Gutierrez divulgou que “nunca fez parte de qualquer acordo de favorecimento envolvendo partidos políticos” nas obras da Petrobrás.

“A UTC repudia veementemente boatos e tentativas de relacioná-la ao pagamento de propina.”

A Mendes Júnior, não foi localizada, mas por meio da defesa do executivo Sérgio Cunha Mendes, tem sustentado nos autos da Lava Jato que foi vítima de “achaque” e apontou Alberto Youssef como um dos responsáveis.

A Tomé Engenharia disse que seus “relacionamentos comerciais sempre se deram no âmbito da mais estrita legalidade, e lisura.”

As demais não foram localizadas para comentar o caso.

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/obras-de-r-31-bilhoes-geraram-propina-ao-pp-diz-youssef/

Odebrecht pagou propina de R$ 10 milhões para Janene, diz doleiro

Posted in Sem categoria on fevereiro 14, 2015 by gusbrum

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Julia Affonso

O doleiro Alberto Youssef afirmou em sua delação premiada que a Construtora Norberto Odebrecht – novo alvo da Operação Lava Jato – pagou R$ 10 milhões em propina para o ex-deputado federal José Janene (PP-PR), morto em 2010. O valor teria sido depositado no exterior como parte do pagamento total de R$ 20 milhões pelo “acerto” feito em contrato de obra na Refinaria Getúlio Vargas (Repar), no Paraná entre 2005 e 2006.

“Metade da comissão foi paga pela UTC e metade pela empresa Odebrecht”, afirmou Youssef. “A parte da Odebrecht, também de cerca de R$ 10 milhões, foi paga em dólares mediante depósito em uma conta de José Janene em um paraíso fiscal”, afirmou Youssef, ouvido no dia 20 de novembro de 2014.

A UTC Engenharia é outra das 16 empresas acusadas de cartel, nas obras da Petrobrás. Ela era sócia da Odebrecht nesse contrato de cerca de R$ 2 bilhões para obras na Repar, na cidade de Araucária (PR).

A propina de R$ 20 milhões era a cota de 1% que cabia ao PP, via ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, no esquema denunciado pela Lava Jato de arrecadação de até 3% em contratos da Petrobrás, comandado pelo PT, PMDB e PP.

Youssef disse em sua delação que “por volta do ano de 2005/2006 foi solicitado por José Janene que buscasse a verba de um comissionamento da empresa UTC, relativa a uma obra ‘acertada’ na Repar, a qual estava sendo executava em consórcio formado pela UTC e pela Odebrecht”.

Caminho do dinheiro. O doleiro argumentou em sua delação não poder precisar onde a conta foi aberta. Mas estava registrada em nome de Rafael Ângulo Lopez – um dos homens que trabalhavam na lavanderia criada pelo doleiro para lavar dinheiro do PP. Lopez é um dos réus dos processos da Lava Jato.

Youssef afirmou que apesar de estar em outro nome, a conta era “movimentada por José Janene”. Na época, o doleiro era braço direito do ex-deputado – origem das investigações da Lava Jato.

Delator e um dos alvos centrais da Lava Jato, o doleiro disse ter ouvido do próprio Janane, antes de morrer, que ele “estaria respondendo a um processo criminal por conta desse comissionamento pago pela Odebrecht”. O dinheiro, segundo ele, “retornou ao Brasil por contas de doleiros”.

Dinheiro vivo. No caso da UTC, Youssef afirmou que foi o responsável pela movimentação dos valores em espécie. “A parte da comissão devida pela UTC, acertada em R$ 10 milhões foi paga em dez parcelas de R$ 1 milhão em espécie”, afirmou o doleiro.
Os pagamentos teriam sido retirados por ele na sede da empresa, em São Paulo. Outras vezes, “o dinheiro foi entregue pelo funcionário Ednaldo da UTC” no escritório de Youssef, também na capital paulista.

A PF tem os registros desse funcionário, de nome Ednaldo Alves da Silva. Antes da deflagração da Operação Lava Jato, em março de 2014, os investigadores fizeram o monitoramento dos contatos que visitavam o escritório de Youssef, onde eram realizados pagamentos de propina e acertos.

Registro obtido pela PF de visitas a Alberto Youssef de carregador de dinheiro da UTC

Sete executivos e funcionários da UTC/Constran – entre eles dois de seus donos, Ricardo Pessoa e João de Teive Argolo – visitaram o prédio entre 2011 e 2012. Ednaldo, apontado como funcionário, foi o mais assíduo dos visitantes, esteve mais de 12 vezes nesse período. Ele não encontrado para falar sobre o assunto.
Youssef disse “não ter participado da negociação do pagamento dessa comissão”. “Tratada por Ricardo Pessoa, Paulo Roberto Costa e por José Janene.” Ao doleiro, coube “apenas recolher o dinheiro e repassar a parte de Paulo Roberto Costa, do Partido Progressista e de João Genu (ex-assessor do partido)”.
O doleiro afirmou ainda ter recebido 5% da propina – de 1% do total do contrato, referente a cota do PP.

LEIA A ÍNTEGRA DO TERMO DE DELAÇÃO DE ALBERTO YOUSSEF SOBRE PROPINA NA REPAR

COM A PALAVRA, A DEFESA

UTC/CONSTRAN
A UTC/Constran nega pagamentos de propina e qualquer irregularidade nos contratos da Petrobrás. Pessoa é um dos executivos presos desde o dia 14 de novembro de 2014, na sede da PF em Curitiba.

ODEBRECHT
A Odebrecht “nega as alegações caluniosas feitas pelo doleiro”. “Réu confesso em investigação em curso na Justiça Federal do Estado do Paraná.”
“A Odebrecht nega em especial ter feito qualquer pagamento ou depósito em suposta conta de qualquer político, executivo ou ex-executivo da estatal.”

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/odebrecht-pagou-propina-de-r-10-mi-para-janene-diz-doleiro/

Ainda a Corrupção e a Ditadura Militar

Posted in Sem categoria on fevereiro 14, 2015 by gusbrum

O assunto sobre a corrupção e Ditadura Militar ainda não está esgotado. A imprensa, escrita e falada, afirma que a corrupção atual é a maior da História do Brasil. Com essa crítica, uma pequena parte de brasileiros, decepcionada, deseja a Ditadura Militar com a finalidade de combater os corruptos. No entanto, a corrupção no tempo da Ditadura Militar era infinitamente superior, como irei mostrar.

O jornalista e escritor J. Carlos de Assis escreveu três livros, no final da Ditadura Militar, em 1984, mostrando os escândalos desse período. Um deles, o mais famoso, “A Chave do Tesouro, anatomia dos escândalos financeiros no Brasil: 1974/83”, revela essa corrupção. Alguns capítulos: Caso Halles, Caso BUC, Caso Econômico, Caso Eletrobrás, Caso UEB/Rio-Sul, Caso Lume, Caso Ipiranga, Caso Aurea, Caso Lutfalla (família de Paulo Maluf, marido de Sylvia Lutfalla), Caso Abdalla, Caso Atalla, Caso Delfin, Caso TAA. Cada “Caso” é um capítulo. Por este motivo, é impossível detalhar esses escândalos financeiros, que trouxeram prejuízos inimagináveis à Economia daquela época!

Em outro livro, “A dupla face da Corrupção”, também em 1984, J. Carlos de Assis revela: “A censura (sic) da era Médici manteve o submundo da economia tão longe da curiosidade pública como as masmorras sombrias da repressão política. (,,,) Esta era uma atmosfera particularmente favorável ao apaniguamento (sic) e à proteção econômica e administrativa dos amigos do regime (…) Foi à sombra desse período obscurantista que a maioria dos arrivistas e aventureiros do mercado, esgueirando-se por essas omissões originais da lei ou pelos espaços abertos por sua deformação propositada (sic), penetrou no sistema financeiro e nele engordou seus conglomerados fraudulentos (sic), para explodir posteriormente em escândalos”, acrescentando: “Vários grupos de aventureiros e de gangsters de gravata (sic) foram postos na engorda junto aos cofres públicos (sic), com total contemporização e cumplicidade da autoridade administrativa”.

Adiante o escritor comenta o escândalo da Corretora Laureano, em 1976, fazendo essa estarrecedora denúncia: “Seu dono, contudo, precavidamente, havia lastreado suas ousadas operações num ativo intangível de valor incalculável nas circunstâncias: a amizade com o Ministro-chefe da Casa Civil, o condestável do governo Geisel, General Golbery do Couto e Silva. A relação estava selada, além disso, por um contrato de trabalho do filho de Golbery como diretor da Corretora (sic). E o General não tinha maiores constrangimentos éticos (sic) em encaminhar seu amigo às boas graças de algum colega de Ministério, em especial o que detinha as chaves dos cofres públicos, o Ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen”. Na página 85, outra denúncia grave: a compra pela Coroa-Brastel (uma empresa que também fazia parte do escândalo financeiro) da Metalúrgica Castor: “A Metalúrgica era propriedade do banqueiro de bicho Castor de Andrade, em sociedade com Osório Pais Lopes da Costa, sogro do Johnny Figueiredo, filho mais velho do Presidente da República (na época em que o livro foi publicado, 1984, o General João Figueiredo era o Presidente).

No ambíguo depoimento, Paim [dono da Coroa-Brastel] relata que foi contatado por Álvaro Leal em outubro de 1982. O consultor lhe teria dito que a Metalúrgica estava para quebrar e lhe sugeria comprar a empresa. “atendendo a um pedido do Chefe” (sic) – o próprio Presidente, no caso. Ele receberia por isso as “compensações devidas” , através do Banco do Brasil (sic)”. Era uma empresa suspeita comprando outra falida “atendendo o pedido do Chefe”! O escritor foi corajoso ao fazer essa denúncia contra o General-Presidente em plena Ditadura Militar, mesmo que nesse ano, 1984, o regime estava mais brando!

Existem outras denúncias de corrupção no período ditatorial, mas ficam para outro artigo.

por JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE

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