Arquivo para abril, 2012

R$ 723 mil em um único mês, é o que recebeu o ex-presidente do Tribunal de Justiça de SP recebeu

Posted in Sem categoria on abril 25, 2012 by gusbrum

SÃO PAULO – Em um único mês, novembro de 2008, o desembargador Roberto Antonio Vallim Bellocchi, na época presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, recebeu R$ 723.474,93 entre salário e desembolsos extraordinários relativos a férias e licenças-prêmio. O salário foi de R$ 373.598.17. Por atrasados, ele recebeu R$ 349.876,74 acrescidos do Fator de Atualização Monetária (FAM), plus que incide sobre vantagens concedidas à toga.


Os dados constam de planilha confidencial expedida pela Diretoria da Folha de Pagamento da Magistratura (DFM). O documento aponta “pagamentos excepcionais” a Bellocchi, que presidiu a maior corte do País entre 2008 e 2009.

Bellocchi ocupa o primeiro lugar isolado na lista dos contracheques milionários, escândalo que abala o grande tribunal. Entre 2007 e 2010 ele foi contemplado com a bagatela de R$ 1,44 milhão, construídos com base na rubrica “excepcionais”. Não há notícia de que outro magistrado tenha recebido tanto.

Em 2008, o então presidente do TJ ganhou R$ 585.446,16 – afora vencimentos que alcançaram R$ 803.300,56. As duas fontes de receita, que garantiram R$ 1.388.746,72 ao desembargador, tiveram amparo em “várias ordens”, segundo o histórico de seus pagamentos – mas os assentamentos não apontam nomes de quem autorizou os depósitos em favor de Bellocchi. Naquele ano de 2008, o próprio já dirigia o TJ paulista.

Em 2009 ele se superou e bateu recorde ao ganhar R$ 1,63 milhão, incluindo vencimentos (R$ 896,8 mil) e extras (R$ 738,4 mil). A maior parte da bolada naquele ano foi paga por “ordem do presidente”. O presidente da corte era Bellocchi. Em 2010, já aposentado, ele recebeu mais R$ 26.129,18 de extras.

Os pagamentos incomuns a Bellocchi e a outros desembargadores estão sob suspeita do Órgão Especial do TJ. A investigação joga luz sobre face oculta da toga, porque protegida por rigoroso sigilo corporativo: os supervencimentos, que estouram o teto constitucional de R$ 26,7 mil.

Bellocchi foi contemplado em fevereiro de 2009 com holerite de R$ 136.476,35, ou cinco vezes mais que o limite imposto pela Constituição. De quebra, no mesmo mês, ele recebeu R$ 120 mil de “pagamento excepcional”.

Em março daquele ano, o magistrado repetiu o feito – contracheque de R$ 136.476,35 e extra de R$ 120 mil. Em abril, o salário do desembargador foi a R$ 126.476,35 e o extra ficou em R$ 110 mil. Naquele período de apenas três meses a conta de Bellocchi captou R$ 749.429,05.

“Todas essas antecipações nunca foram submetidas à apreciação do Conselho Superior da Magistratura e as de extremo vulto se deram exatamente na sua (de Bellocchi) gestão como presidente do tribunal”, adverte o desembargador Ivan Sartori, atual mandatário máximo do TJ.

Violações. Sartori anota que os pagamentos, em tese, “constituíram graves violações aos princípios constitucionais da isonomia, da impessoalidade e da moralidade administrativa”.

SÃO PAULO – O presidente do TJ pede processo disciplinar que pode levar à cassação da aposentadoria de Bellocchi. “Há veementes indícios de que não havia mesmo critério nenhum para as antecipações de créditos a magistrados.”

 

Também estão sob inspeção pagamentos a outro desembargador, Vianna Santos, que presidiu o TJ em 2010. Ele recebeu R$ 1,26 milhão – morreu em 2011 -, a maior parte em seu governo.

Para Sartori, os dados indicam “em tese, abuso de poder na gestão das verbas do TJ por seus ordenadores de despesa”. Ele denuncia existência de “administração paralela” na corte.

Em defesa preliminar, Bellocchi afirmou que “é pessoa conhecida pelos 45 anos de dedicação à magistratura, carreira percorrida em todos os estágios, até se tornar, nos anos de 2008 e 2009, presidente do tribunal”.

Retidão. Ele sustenta que “sempre demonstrou, além do domínio da melhor técnica jurídica, transparência, lisura e retidão de caráter”. Bellocchi diz que “se tornou titular de uma série de créditos a serem pagos a título de indenização”. “No entanto, diversos acontecimentos fizeram surgir, na vida do peticionário, necessidades financeiras prementes, as quais levaram à antecipação de parte dos referidos créditos em atraso.” Relata que, ao fim de 2006, acumulava R$ 822.436,72 em dívidas e empréstimos bancários.

 

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,ex-presidente-do-tribunal-de-justica-de-sp-recebeu-r-723-mil-em-um-unico-mes,864961,0.htm?p=1

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Governo do DF processa Delta por fraude em contrato que totaliza R$ 470 milhões

Posted in Sem categoria on abril 21, 2012 by gusbrum
VANNILDO MENDES – Agência Estado

Pressionado por denúncias de ligações com o esquema comandado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira, o Governo do Distrito Federal anunciou nesta sexta a abertura de processo administrativo de fornecedor (PAF) contra a construtora Delta, que pode ser considerada inidônea e perder o contrato milionário que mantém desde 2007 para coleta de lixo e limpeza urbana na capital do País. A empresa ganhou a licitação com atestado de capacidade técnica falso, conforme decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região.

O acórdão da decisão, divulgado nesta sexta, será usado pelo governo para se livrar do estigma da Delta, apontada nas investigações como carro chefe do suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e financiamento ilegal de campanhas de políticos, desmantelado pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. A empresa negou as acusações de envolvimento com o contraventor, que está preso desde 29 de fevereiro e informou que vem cumprindo os termos do contrato e vai recorrer da decisão.

Em Brasília, a Delta detém dois dos três lotes de limpeza urbana, o que inclui o Plano Piloto e sete cidades satélites. O contrato totaliza R$ 470 milhões em cinco anos. Gravações realizadas pela Polícia Federal detectaram conversas onde integrantes do grupo de Cachoeira diziam que a Delta cobraria a “fatura eleitoral” do governo Agnelo, fruto de suposta contribuição para o caixa 2 da campanha do petista. Empresa a governador negaram.

Após muita contestação das concorrentes, em 2010 o contrato foi mantido em favor da Delta mediante liminar da Justiça Federal. As concorrentes recorreram ao TRF, que reconheceu como sendo falso o atestado de capacidade técnica, fornecido pela prefeitura de Palmas (TO) e usado na licitação. O tribunal cassou a Certidão de Acervo Técnico (CAT), documento obrigatório de licitações.

A fatia da Delta representa 70% dos serviços de varrição de ruas, coleta de lixo, tratamento de resíduos, pinturas de meio fio, remoção de entulho e lavagem de paradas e monumentos públicos. Os outros 30% estão nas mãos da empresa Valor Ambiental, autora da recurso contra ilegalidades no contrato da Delta. A Qualix, derrotada no certame, também recorreu. As duas empresas deverão herdar os dois lotes, quando eles forem subtraídos da Delta.

Mas o processo deve durar algumas semanas, porque será respeitado o direito de defesa da empresa. O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) de Brasília deu dez dias úteis de prazo para a Delta se defender. “O desfecho inevitável é a decretação de inidoneidade e o cancelamento do contrato”, previu o secretário de Transparência e Controle do DF, Carlos Higino Alencar, que mandou instaurar o PAF.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,governo-do-df-processa-delta-por-fraude-em-contrato,863535,0.htm

Governo quer proibir novos contratos com Delta, principal empresa do PAC, que faturou R$ 884,4 milhões com obras federais.

Posted in Sem categoria on abril 21, 2012 by gusbrum

 

O governo federal estuda proibir a Delta Construções, principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de firmar contratos com a União. Os ministros da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, determinaram ontem a abertura de processo para declarar inidônea a construtora, que faturou, só no ano passado, mais de R$ 884,4 milhões com obras federais.


O governo explica que a decisão se baseia nas numerosas denúncias veiculadas recentemente no âmbito da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, “com indícios veementes de tráfico de influência”, e em informações da Operação Mão Dupla, que apontam o pagamento de propina e outras vantagens pela Delta a servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Ceará. A denúncia contra funcionários da autarquia e da empreiteira foi enviada nesta sexta-feira, 20, à Justiça pelo Ministério Público Federal no Estado.

As revelações da Operação Monte Carlo deram origem à CPI do Cachoeira, criada na quinta-feira, 19, pelo Congresso Nacional. A investigação vai apurar elos do contraventor com políticos e também com a Delta.

A eventual declaração de inidoneidade criaria uma espécie de blindagem para o Planalto, que se afastaria da Delta, alvo da CPI.

Contratos cancelados. A CGU informa que a Delta terá direito a ampla defesa e ao contraditório no processo de inidoneidade. Caso receba a sanção, além de proibida de tocar novas obras para o governo, poderá perder contratos já em execução.

A possibilidade de rescisão será, contudo, avaliada caso a caso, levando-se em conta estágio dos serviços e se a interrupção não prejudicaria o interesse público.

Nos últimos dias, Estados têm anunciado ações para investigar a Delta. Em Minas Gerais, por exemplo, o Ministério Público fará um “pente-fino” em todos os contratos públicos da construtora.

A decisão do governo federal só veio depois do escândalo desencadeado pela Operação Monte Carlo, que revelou indícios de envolvimento da empreiteira com a organização do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e escancarou suas relações com políticos.

A Controladoria-Geral da União e demais órgãos de controle do governo federal, porém, têm informações de supostas irregularidades cometidas pela empresa há anos.

Como o Estado mostrou no último sábado, desde 2007 a CGU identificou problemas em ao menos 60 obras tocadas pela Delta no Dnit, seu principal cliente. O valor dos contratos com falhas alcança R$ 632 milhões.

Fraudes. A Operação Mão Dupla, por sua vez, foi desencadeada pela Polícia Federal em agosto de 2010 e teve o apoio da própria Controladoria.

 

A PF identificou um esquema de fraudes em licitações, superfaturamento e pagamentos indevidos a empreiteiras. A principal delas seria a Delta.

Segundo as investigações da Polícia Federal, servidores da autarquia facilitavam o desvio de verbas, fraudando medições de serviços não executados e alterando quantitativos.

O então superintendente do Dnit no Estado, Joaquim Guedes Neto, chegou a ser preso por envolvimento no esquema, que teria desviado R$ 5 milhões em quatro obras, segundo estimativa inicial da PF.

De acordo com o Ministério Público Federal no Ceará, na ação penal há registro de crimes praticados por funcionários do Dnit e de construtoras, entre elas a Delta. Os envolvidos vão responder por formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

 

 

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,governo-quer-proibir-novos-contratos-com-delta-principal-empresa-do-pac,863570,0.htm?p=2

13 milhões de prejuizos com desvios de verbas em Cuiaba, MT

Posted in Sem categoria on abril 16, 2012 by gusbrum

Mas nem sempre são laranjas. Em Cuiabá, uma auditoria na folha de pagamento da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso encontrou 32 fantasmas. E 31 recebiam os salários, eram coniventes com a fraude. Nenhum deles jamais trabalhou na secretaria. Houve quem recebesse, em quatro anos, mais de um R$ 1 milhão. Total do prejuízo: quase R$13 milhões. A polícia começa a investigar a fraude.

Além de mortos que continuam a receber salários, o Tribunal de Contas descobriu funcionário morando a quase 3 mil quilômetros de distância do emprego.

Algumas prefeituras pagam salários até para servidores que moram em estados que não fazem divisa. São 3,8 mil contratados que não dão expediente, mas o contra-cheque deles nunca falta.

 

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1679701-15605,00-ATE+MORTOS+RECEBEM+SALARIOS+PAGOS+COM+DINHEIRO+PUBLICO+EM+PERNAMBUCO.html

20 milhões desviados foram pagos a laranjas em Belem.

Posted in Sem categoria on abril 16, 2012 by gusbrum

Em Belém, o Ministério Público investiga, desde 2011, a contratação de fantasmas pela Assembleia Legislativa do Pará. “Nós já detectamos, neste primeiro momento, no primeiro levantamento, perto de cem funcionários fantasmas”, diz o promotor de Justiça Arnaldo Azevedo.

O prejuízo já chega a R$ 20 milhões. Funcionários da Assembleia estão entre as 40 pessoas denunciadas.

O Ministério Público afirma que o golpe usava inocentes, gente que não sabia que estava na folha de pagamento e que não se beneficiou da fraude, como Ivonete: “Nunca recebi um centavo”, ela garante.

Ela está desempregada. Mas, na folha da Assembleia, era assessora especial e recebia mais de R$ 10 mil por mês.

O vendedor Ricardo também está na folha de pagamento. Em nome dele, um salário de mais de R$ 15 mil. “Eu ganho um salário mínimo e tem gente se aproveitando do meu nome”, diz ele.

Em Belém, então, o desvio do dinheiro era feito com “laranjas”, quer dizer: pessoas que têm nome e documentos usados sem que elas saibam. O salário, claro, era embolsado pelos golpistas.

“A todo momento se detecta uma pessoa que figurou nos quadros da Assembleia como funcionário, mas que nunca trabalhou, muitas não sabem nem onde fica o prédio da Assembleia Legislativa”, explica promotor.

 

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1679701-15605,00-ATE+MORTOS+RECEBEM+SALARIOS+PAGOS+COM+DINHEIRO+PUBLICO+EM+PERNAMBUCO.html

300 milhões sumiram nas fraudes com mortos na folha de pagamento em Pernambuco

Posted in Sem categoria on abril 16, 2012 by gusbrum
15/04/2012 22h50Atualizado em: 15/04/2012 22h54

Fantástico mostra que houve desperdício de R$ 300 milhões de 2009 a 2010. Mais de R$ 2 milhões foram gastos com gente que já morreu, diz TCE.

Do G1, com informações do Fantástico

Uma reportagem feita pelo Fantástico mostra o escândalo dos funcionários fantasmas. Um levantamento feito em Pernambuco constatou a existência de traficante condenado recebendo salário, servidores morando a milhares de quilômetros do local de trabalho e até mortos na folha de pagamento.

(No vídeo ao lado, assista à reportagem do Fantástico na íntegra)

Ao todo, 450 funcionários públicos estão enterrados em cemitérios de Pernambuco. Os nomes deles aparecem numa auditoria do Tribunal de Contas do Estado. Durante dois anos, os auditores estudaram as planilhas de pagamento dos municípios pernambucanos.

A conclusão é de que, só nesse período, de 2009 a 2010, foram desperdiçados R$300 milhões em dinheiro público.

Mais de R$ 2 milhões, gastos em nome de gente que já morreu. No levantamento do TCE, o Recife aparece com o maior número de casos: 65. E o pior é que os fantasmas não estão só nos cemitérios.

Outros problemas 
A administração do dinheiro público em Pernamubuco é assombrada por muitas outras irregularidades. O estado atingiu uma marca inacreditável: dos seus 184 municípios, 159 respondem a processos no Tribunal de Contas. São quase todos: 86% das cidades.

No município de Verdejante, no Sertão pernambucano, durante o período investigado pelos auditores, a folha salarial da prefeitura traz o nome de Severino Dantas de Sá, que é presidiário. Quando foi contratado estava foragido.

Na época, Severino estava bem mais longe, a dois mil quilômetros de distância da pequena Verdejante. Ele cumpria pena de sete anos de prisão por tráfico de drogas, em Brasília, em regime semi-aberto. Em agosto de 2008 ele fugiu do presídio e só voltou dois anos depois quando foi recapturado pela polícia.

Transferido para Salgueiro, a 35 quilômetros de Verdejante, Severino confirmou que foi funcionário público.

Repórter: O senhor trabalha pra prefeitura de Verdejante?

Severino: Não.

Repórter: O senhor já trabalhou pra prefeitura de lá?

Severino: Já.

Repórter: Em que período?

Severino: Trabalhei no período de 2009 até meados de outubro de 2010.

Repórter: O prefeito não tinha ciência de que o senhor deveria estar cumprindo pena quando foi contratado?

Severino: Não, não tinha ciência.

Severino: Quando eu fui recapturado, ele me demitiu imediatamente.

Ao tentar explicar o erro na contratação, o prefeito de Verdejante, Haroldo Silva Tavares, acaba revelando uma prática que leva a tantos casos de mau uso do dinheiro público no Brasil: o preso que virou funcionário é primo dele. “Inclusive a própria família que é dele, é nossa, dizia que ele não tinha mais problema na Justiça e eu não fui averiguar mais a fundo”, diz Tavares.

Para a cientista política Roseli Coelho, as fraudes contaminam todo o serviço público brasileiro. “Você está esfregando na cara do funcionário público que trabalha que ele é um idiota, que ele é um trouxa, que outros mais espertos que ele tão ganhando o salário e não tão trabalhando”, afirma.

Pará
Em Belém, o Ministério Público investiga desde 2011 a contratação de fantasmas pela Assembleia Legislativa do Pará. “Nós já detectamos neste primeiro momento, no primeiro levantamento, perto de 100 funcionários fantasmas”, diz o promotor Arnaldo Azevedo.

O prejuízo já chega a R$ 20 milhões. Funcionários da Assembleia estão entre as 40 pessoas denunciadas.

O Ministério Público afirma que o golpe usava inocentes, gente que não sabia que estava na folha de pagamento e que não se beneficiou da fraude. Como Ivonete Silva. “Nunca recebi um centavo”, diz ela, que está desempregada. Mas, na folha da Assembleia, Ivonete era assessora especial e recebia mais de R$10 mil por mês.

O nome do vendedor Ricardo Rafael Monteiro da Silva também está na folha de pagamento. Em nome dele, um salário de mais de R$ 15 mil. “Eu ganho um salário mínimo e tem gente se aproveitando do meu nome”, diz ele.

Em Belém, então, o desvio do dinheiro era feito com “laranjas”, quer dizer: pessoas que têm nome e documentos usados sem que elas saibam. O salário, claro, era embolsado pelos golpistas.

“A todo momento se detecta uma pessoa que figurou nos quadros da Assembleia como funcionário mas que nunca trabalhou, muitas não sabem nem onde fica o prédio da Assembleia Legislativa”, diz o promotor Azevedo.

Mato Grosso
Mas nem sempre são laranjas. Em Cuiabá, uma auditoria na folha de pagamento da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso encontrou 32 fantasmas. Trinta e um recebiam os salários, eram coniventes com a fraude. Nenhum deles jamais trabalhou na secretaria. Houve quem recebesse, em quatro anos, mais de um R$ 1 milhão. Total do prejuízo: quase R$ 13 milhões. A polícia começa a investigar a fraude.

Mais problemas 
Em Pernambuco, além de mortos que continuam a receber salários, o Tribunal de Contas descobriu outro descaso com o dinheiro do contribuinte. Você imagina que alguém possa morar a quase três mil quilômetros do emprego? A distância não é problema para a contratação de funcionários. As prefeituras pagam salários até para servidores que moram em estados que não fazem divisa com Pernambuco. São 3,8 mil contratados que não dão expediente, mas o o contracheque deles não falta.

Segundo o relatório, o prejuízo nesses casos foi de R$ 34 milhões em dois anos. Mirandiba, no Sertão Pernambucano. Uma cidade como tantas outras que precisam de serviços de saúde, de educação, de segurança. Mas Mirandiba contrata servidores que moram longe.

Em Brasília, tentamos entrevistar Jorge Luiz Furtado de Sá. Ele aparece como motorista na folha de pagamento de Mirandiba. Encontramos a casa da família dele. A irmã estranha que Jorge tivesse emprego numa cidade de Pernambuco.

Irmã: Lá de Mirandiba? Não, porque ele trabalhava aqui, como é que ele era funcionário lá?

E conta que o irmão deixou Brasília de repente.

Irmã: Eles juntaram as coisas, querida, e anoiteceu e amanheceu e foram embora, a família toda. Meu irmão, a mulher e os filhos.

Em São Paulo, a reportagem chegou mais perto de um dos fantasmas de Mirandiba. Maria Clara da Silva é contratada como auxiliar de serviços.

Senhora: Chega correspondência dessa pessoa aqui, entendeu?

O produtor do Fantástico em São Paulo encontra uma pista de Maria Clara.

Produtor: Mas sempre chega correspondência dela aí?

Senhora: Maria Clara.

Produtor: E ela passa pra pegar?

Senhora: Para pegar.

A moradora indica o caminho da casa que seria de Maria Clara. Mas o lugar está vazio. Por telefone, ela não quis explicar a situação.

Produtor: A gente precisa esclarecer, porque você tem um cargo lá e você não mora lá.

Maria Clara: Mas aí o meu advogado procura você e conversa com você.

Em Mirandiba, descobrimos que a mãe de Maria Clara trabalha no lugar dela.

Mãe: Ela adoeceu lá e está lá mas ela vem. E eu trabalho e recebo o dinheiro.

Outro lado
Bartolomeu Tiburtino é prefeito de Mirandiba desde 2009. Ele diz que as irregularidades começaram antes da gestão dele. “E nós vamos tomar as medidas cabíveis pra poder contornar essa situação”, afirma o prefeito.

As prefeituras foram notificadas pelo Tribunal de Contas para apresentar as suas defesas. Algumas instauraram processos administrativos para apurar as próprias irregularidades. Não há nenhuma garantia de que os pagamentos irregulares foram suspensos.

Segundo o TCE, com os R$ 300 milhões desperdiçados em Pernambuco, seria possível construir 1,2 mil postos de saúde. Ou 6,2 mil casas populares. Ou ainda 167 novas escolas.

“Nós já denunciamos isso ao Ministério Público Federal. O Ministério Público vai estudar e ver os indícios de improbidade e os indícios de crime em relação a essas questões e efetivamente nós vamos solicitar de forma firme a devolução desses recursos pelos responsáveis”, afirma a presidente do TCE, Teresa Duere.

http://m.g1.globo.com/brasil/noticia/2012/04/em-pe-450-funcionarios-publicos-mortos-estao-em-folha-de-pagamento.html

11 milhões – Investigação do TC-RN encontra desvios de R$ 11 milhões no Tribunal de Justiça

Posted in Sem categoria on abril 12, 2012 by gusbrum

Edição do dia 11/04/2012

11/04/2012 21h54 – Atualizado em 11/04/2012 21h54

Uma investigação do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte encontrou desvios de R$ 11 milhões, nos últimos cinco anos, no Tribunal de Justiça do estado. O depoimento de uma servidora do TJ, divulgado nessa terça-feira (10) pelo Tribunal de Contas, envolveu dois desembargadores na fraude.

As declarações de Carla Ubarana serviram de base para o relatório do Tribunal de Contas e foram feitas, em juízo, em março. A ex-chefe da Divisão de Precatórios do Tribunal de Justiça do Rio Grandedo Norte fez um acordo de delação premiada e está em prisão domiciliar.

De acordo com as investigações, o dinheiro repassado mensalmente ao Tribunal pelo estado e por municípios para o pagamento de dívidas judiciais, os chamados precatórios, era parcialmente retirado do banco por Carla e depositado na conta de laranjas.

Segundo a ex-servidora, o desvio começou por ordem do então presidente do TJ, desembargador Oswaldo Cruz. “A verba vinha do banco. Eu contava. Chegou R$ 90 mil, eu já separava a parte do desembargador Oswaldo, botava dentro da bolsa e ia trabalhar normal. O restante ficava lá. A entrega era feita a ele todo final de tarde, no Tribunal de Justiça, em um envelope pardo amarelo, em notas de R$ 100 para fazer o menor volume possível”, revela.

Ela afirma que o esquema continuou quando o desembargador Rafael Gordeiro assumiu a presidência do Tribunal, em 2009, e que o pedido foi feito pelo próprio presidente que estava deixando o cargo. “Na gestão do desembargador Rafael, Oswaldo me chamou e perguntou: “Carla, eu quero continuar do mesmo jeito. Tem condição de fazer com o Rafael?”. Eu disse que tinha condições de fazer porque temos as guias”.

Tanto o desembargador Oswaldo Cruz quanto o desembargador Rafael Gordeiro negaram as acusações. Segundo o relatório do TCE, a atual presidente do Tribunal de Justiça, a desembargadora Judite Nunes, não teria participação no esquema. Os bens de Carla Ubarana e do marido dela estão à disposição da Justiça.

A Procuradoria Geral do estado anunciou providências. “Vamos mobilizar o corpo técnico de procuradores para buscar o ressarcimento desse dinheiro que foi roubado do povo do Rio Grande do Norte”, diz o procurador-geral do estado, Miguel Josino.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/04/investigacao-encontra-desvios-de-r-11-milhoes-no-tj-do-rn.html